Por victor.duarte

São Paulo - Uma acusação de racismo contra uma escola do governo de São Paulo gerou tanta repercussão nas redes sociais que chegou ao ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, nesta semana. Divulgado por meio do Facebook pela mãe de uma aluna da Escola Estadual João Ramalho, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), o texto – segundo o qual uma menina de 12 anos foi alvo de preconceito de colegas e da direção da instituição de ensino – alcançou na sexta-feira mais de 100 mil curtidas e 70 mil compartilhamentos.

Camila dos Santos Reis afirma que sua filha, Lorena, tem sido alvo de racismo de colegas já há alguns meses, atacada com agressões verbais relacionadas à cor da sua pele e a seus cabelos encaracolados. Em desabafo no Facebook, a web designer afirmou ter tomado conhecimento das supostas agressões após receber uma mensagem de texto da menina com o título "olha como eu sofro". Nela, haveria conteúdo de um grupo de colegas de Lorena no Whatsapp.

Lorena em imagem postada por sua mãe no Facebook%3A Secretaria de SP diz que caso está resolvidoReprodução / Facebook

"Coloquei meu fone no ouvido e, logo a primeira frase, gritada em alto e bom som foi 'sua preta, testa de bater bife do c...'. Foram 53 segundos de ofensas horrorizantes, palavrões ofensivos, raciais e, por incrível que pareça, sexuais, vindos de um garoto de aproximadamente 13 anos, morador do condomínio onde vivemos", escreveu camila.

De acordo com Camila, cuja filha ganhou campanha anti-racismo promovida pela comunidade "Preta e Acadêmica" (formada por negras universitárias), havia ainda cerca de 20 áudios no grupo, com mensagens como "quando eu quero ser racista sou racista", "cabelo de movediça" e "toda vez que eu te encontrar na minha frente vou fazer você chorar". Pela situação, a diretora da instituição teria decidido mudar Lorena de classe, sob a justificativa dela não ter se adaptado. E, assim, o caso chegou à supervisão do Estado.

Em uma reunião entre Camila, a filha, a diretora da escola e a supervisora de ensino estadual de São Bernardo, em 14 de abril, Lorena expôs abertamente as acusações de racismo e citou os nomes dos colegas que seriam responsáveis pelos ataques.

Entretanto, segundo Camila, ao retornar para casa horas depois, Lorena teria afirmado que, após ter sido ofendida e xingada por colegas "por ter se comportado como uma dedo-duro", a diretora a teria feito pedir desculpas a eles, já que todos se acusaram mutuamente de ofensas. "O certo acabou saindo errado", criticou a web designer. Camila afirma que o episódio levou a filha a ser diagnosticada por um médico com "estresse pós-traumático".

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo afirma que, ao menos na visão do órgão, o caso foi resolvido logo após a reunião. O Conselho Tutelar foi convocado para conversar com todos os alunos envolvidos no caso.

Você pode gostar