PF indicia Dirceu, Vaccari e mais 12 pessoas na Lava Jato

Ex-ministro é acusado de corrupção, lavagem, formação de quadrilha e falsidade

Por gabriela.mattos

Brasília - Preso há um mês na 17ª fase da Lava Jato, batizada de “Pixuleco”, o ex-ministro José Dirceu foi indiciado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e falsidade ideológica. Além dele, os investigadores da Polícia Federal concluíram dois inquéritos que citam outras 13 pessoas, como o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, suspeitas de desvios em contratos da Petrobras. Os relatórios da PF foram encaminhados ao Ministério Público Federal, que vai decidir se oferece denúncia contra o ex-ministro e os outros indiciados.

Assinado pelo delegado Márcio Adriano Anselmo, o relatório da PF diz que a investigação se insere em “um contexto maior de desvio de recursos em que uma estrutura criminosa sistêmica foi inserida no seio estrutura do governo federal”. O documento afirma ainda que indicações para cargos públicos na Petrobras geravam “cobrança” de valores de empresas para beneficiar os envolvidos.

Depoimentos do delator Milton Pascowitch, que diz ter intermediado repasses ao ex-ministro, ajudaram a embasar as conclusões da investigação. O delator também foi indiciado.

Quatro pessoas ligadas a José Dirceu foram indiciadas: seu irmão, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva;um ex-assessor, Roberto Marques, o Bob; um sócio, Julio Cesar dos Santos;e sua filha, Camila Ramos de Oliveira e Silva.

O Ministério Público Federal apresentou também denúncia contra , Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear; Otávio Marques de Azevedo, o ex-presidente da Andrade Gutierrez; e Gerson Almada, o ex-vice-presidente da Engevix; por corrupção e lavagem de dinheiro. Também foram denunciados Ana Cristina da Silva Toniolo, filha de Othon; Flávio Barra, Clóvis Primo, Rogério Nora de Sá, Gustavo Botelho e Olavinho Ferreira Mendes, ex-executivos da Andrade Gutierrez.

‘Não tenho o que dedurar’

Em depoimento à CPI da Petrobras, o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, disse que não considera a possibilidade de fazer uma delação premiada “por não ter o que dedurar”.

“Quando lá em casa minhas meninas brigavam eu perguntava ‘quem fez isso?’ Eu talvez brigasse mais com quem dedurasse (...) Para alguém dedurar precisa ter o que dedurar”, afirmou o empreiteiro. Sobre delação, Odebrecht disse ainda que “independentemente disso (de ter o que dedurar) há questões de valores numa decisão dessas”.

Para o empresário, a investigação está causando “desgaste desnecessário”. No depoimento, ele disse que não poderia comentar detalhes das acusações que responde na Justiça.

Também foram ouvidos na CPI outros quatro executivos da Odebrecht: Márcio Faria, Rogério Araújo, César Ramos e Alexandrino Alencar, mas todos ficaram calados.

Carros de luxo de Collor na mira do STF

Por determinação do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), os bancos terão de informar como foram feitos os pagamentos dos carros de luxo do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Há suspeita de que houve lavagem de dinheiro. A compra dos veículos teria sido feita com o objetivo de esconder dinheiro desviado da Petrobras, por meio de movimentações financeiras de empresas ligadas ao parlamentar. Entre os carros de Collor há uma Ferrari, um Porsche e uma Lamborghini, apreendidos na Operação Lava Jato.

A Polícia Federal acusou o presidente da CCJ da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), e seu pai, o senador Benedito de Lira (PP-AL), de receberem suborno de empresas com contratos com a Petrobras. Relatório da PF diz que os indícios recolhidos desde o início da investigação são suficientes para o enquadramento do senador e do deputado em crime de corrupção passiva.

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