Rio - O show de horrores da política brasileira continua a todo vapor. Escândalos, acusações e delações se sucedem há meses, o denunciante de hoje é o denunciado amanhã e assim caminhamos. Cada vez aumenta mais aquela lamentável sensação de que a política é um antro onde só sobrevivem os corruptos. Segundo essa crença, todos eles, maquiavélicos, usam seus mandatos unicamente para encher os bolsos e prejudicar a nós, o povo. Apesar de tudo, é preciso respirar fundo e não se deixar levar pelas aparências. Nem a política é um covil de marginais e nem nós, o povo, somos tão vítimas assim. Afinal, fomos às urnas para colocá-los onde estão. Nem mesmo quem votou nulo ou branco está livre de responsabilidade.
É certo que alguns eleitores podem alegar que foram enganados por seus candidatos. Aqueles políticos que disseram uma coisa e fizeram outra, que prometeram ir para um lado e foram para o outro. Ok, estes podem ser anistiados, mas são uma minoria. A grande maioria votou em candidatos que fazem nos atuais mandatos exatamente o que fizeram nos anteriores, ou então o que faziam antes de entrar na política. Bastaria a nós, eleitores, o trabalho de ter checado o desempenho de cada um dos postulantes e poderíamos ter evitado muitas das tramoias acontecidas no Congresso. Não fizemos isso e agora lamentamos.
Nem mesmo a turma que votou nulo ou branco pode bater no peito para dizer que não colaborou com o mar de lama. Como já foi exaustivamente explicado, o voto anulado apenas facilita as coisas para os candidatos que lideram a disputa. É matemático. Quem anulou delegou a outros eleitores o direito de escolher quem deveria exercer os mandatos. Ficou em casa e foi dormir feliz, acreditando que não participou da votação, mas participou tanto quanto os demais.
Só há uma fórmula para tentar evitar a continuação da onda de corrupção na próxima legislatura: vasculhar a vida política dos candidatos, conhecer bem cada um deles e escolher os que realmente cumpram durante o mandato o que prometeram na campanha. É preciso derrubar mais esse mito. Assim como nós, eleitores, não somos vítimas, também nem todos os políticos são corruptos como nos querem fazer crer. Há muitos que sugerem bons projetos e realizam boas ações. Dá trabalho, mas é possível achá-los. Essa será a melhor colaboração que poderemos dar para diminuir o mar de lama.
POR TRÁS DA TRIBUNA
Para muitos, pode ter sido surpreendente que o PT, ao chegar à presidência, adotasse um modelo econômico tão parecido com o de FHC, que estava antes no poder. O fenômeno, que começou no mandato de Lula, se acentuou neste segundo mandato de Dilma Rousseff.
Se tivessem dado ouvidos a Leonel Brizola, não seriam pegos de surpresa. Em uma entrevista, o ex-governador do Rio disse, certa vez: “O Lula está dentro do sistema. Sua mente está dentro do sistema econômico, assim como a do Fernando Henrique Cardoso. As duas equipes estão se acotovelando para executar o mesmo programa neoliberal”. Na ocasião, foi contestado por jornalistas, que pareciam espantados. Deu no que deu.