De Olho na Política: Para onde vão os órfãos do PT

Enquanto a direita tem várias opções, os simpatizantes da esquerda têm como alternativas viáveis principalmente o PSOL e a recém-criada Rede

Por thiago.antunes

Rio - Iniciado em 2005, com o escândalo do Mensalão, o processo de decadência do Partido dos Trabalhadores chegou ao ápice agora, com a descoberta dos bilhões em propinas desviados da Petrobras. Diante da reviravolta ética da legenda que antes alardeava ser a mais limpa de todas, restaram poucos militantes. A legião que em outros tempos saía às ruas empunhando bandeiras vermelhas e vestindo camisas com o símbolo da estrela está, neste momento, sem porto seguro.

Enquanto a direita tem várias opções, os simpatizantes da esquerda têm como alternativas viáveis principalmente o PSOL e a recém-criada Rede. Nenhum dos dois partidos, no entanto, pode ser comparado ao que era o PT em seus bons tempos.

Com mais tempo de estrada, o PSOL é o que mais se assemelha ao partido de Lula de 30 anos atrás. Não por acaso: muitos dos que saíram do PT no primeiro escândalo se transferiram para lá. Tem propostas inspiradas no ideário socialista, que está presente em sua sigla, e repete o discurso de partido intocado e imune à corrupção.

Enquanto a direita tem várias opções%2C os simpatizantes da esquerda têm como alternativas viáveis principalmente o PSOL e a recém-criada Rede, de Marina SilvaReprodução Facebook

Não tem, no entanto, o trabalho de base que foi o principal fertilizante da legenda petista. Seja nos cafundós de Roraima ou nos pontos mais pobres da Baixada Fluminense, o PT foi até lá e organizou os movimentos populares na década de 80. O PSOL está longe disso.

A caçula Rede ainda terá que definir melhor suas ideias, já que não parecem claras. A começar pelas manifestações da protagonista da legenda, Marina Silva. Certamente vão ecoar por muito tempo ainda as frases surpreendentes que ela soltou durante a última campanha eleitoral, como “o problema do Brasil não é a elite, mas a falta dela”.

Algo que talvez possa ser creditado à tensão que cercou os debates. Mesmo o sociólogo Luiz Eduardo Soares, um dos cabeças do partido, não conseguiu esclarecer a linha que a Rede seguirá: “Acredito que todos concordem com os princípios de justiça, igualdade, fraternidade, sustentabilidade”, disse, em recente entrevista ao DIA. Pouco ajudou: até mesmo o DEM, atualmente, se define dessa forma.

Tanto o PSOL quanto a recém-criada legenda de Marina Silva terão que mostrar ainda o que pretendem fazer sobre um ponto que os ex-petistas vão pesar bastante: as alianças. A julgar pela candidatura de Marcelo Freixo à prefeitura do Rio, em 2012, a possibilidade de se coligar com a direita ou a centro-direita é zero.

A Rede parece mais flexível e carrega o precedente do apoio dado por Marina a Aécio Neves, no ano passado. Para os dois, o drama é que a negociação com os opostos é a alma da política. Essa alma, no entanto, não pode ser entregue ao diabo, como fez a cúpula petista. Quem encontrar o meio termo poderá ser visto como a alternativa que hoje falta aos órfãos do PT.

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