Chico Alves: Os dois lados da moeda política no Brasil
Espero sinceramente que em 2016 os divergentes consigam discutir de forma civilizada
Por bferreira
Rio - Sei que vou mexer em casa de marimbondo, mas começo o ano tratando da polarização na política brasileira. Coisa de louco. Desde que foram inventadas as eleições existem os governistas e os oposicionistas, mas no Brasil essa divisão define dois exércitos inimigos, em guerra declarada. Espero sinceramente que em 2016 haja menos radicalização e que os divergentes consigam discutir de forma civilizada. A proposta não é que um lado concorde integralmente com o outro, mas também não é necessário discordar em tudo. Para começar, antes da crítica, que tal a autocrítica? Aí vai uma colaboração.
Para os petistas fanáticos, não houve desvio de recursos na Petrobras, e todo o noticiário sobre a Operação Lava Jato é fruto de manipulação. Esquecem que até mesmo a presidente Dilma Rousseff lamentou os roubos e prometeu punir os culpados.
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Para os antipetistas fanáticos, os desvios de recursos na Petrobras começaram só depois que o PT assumiu o governo federal. Esquecem que as denúncias desse tipo são antigas. Uma dessas acusações, aliás, foi feita por Paulo Francis, em 1996, quando Fernando Henrique Cardoso era o presidente do Brasil.
Os petistas fanáticos acreditam piamente que a crise econômica não existe e é mera invenção da grande mídia. Fingem não ver os crescentes índices de desemprego e, mais uma vez, ignoram as declarações da própria presidente Dilma, que reconhece as dificuldades para fechar as contas.
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Os antipetistas fanáticos acreditam que a atual crise é a pior de todos os tempos e que o Brasil vai falir por conta dela. Parece que não sabem que no segundo mandato de FHC o país passava por descontrole econômico e monetário gravíssimo.
Na opinião dos petistas fanáticos, Eduardo Cunha é o demônio, mas se esquecem que por muito tempo ele fez parte da base aliada.
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Na opinião dos antipetistas fanáticos, Eduardo Cunha é o demônio, mas se esquecem que boa parte da Oposição fez acordo com ele quando achou que seria útil para levar em frente o impeachment.
Reclamam os petistas, dizendo que o governo Dilma é de direita.
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Reclamam os antipetistas, dizendo que o governo Dilma é de esquerda demais.
Temo que esta minha tentativa de acalmar os ânimos resulte em mais bate-boca. Tudo nesse clima de radicalização que vive o país, até mesmo os gestos de pacificação, acabam acirrando ainda mais os confrontos. E, possivelmente, os dois lados vão argumentar que a mídia é que manipula as informações a seu bel-prazer, que torce e distorce os fatos de acordo com as convicções do autor da matéria. Pois bem, aí vai minha contribuição ao espírito de desapego: nesse item, acho que tanto petistas quanto antipetistas têm razão (esta coluna incluída).