Depois de 36 anos, Lula se vê ‘prisioneiro’ de novo e tem futuro incerto

A ação da PF pode marcar fim melancólico ou ressurreição

Por bianca.lobianco

Rio - Presidente mais popular da história recente do país, eleito e reeleito na década passada, e responsável direto pelas duas eleições da presidente Dilma Rousseff a partir de 2010, Lula se viu, na última sexta-feira, como em abril de 1980, quando foi preso pela ditadura militar com base na Lei de Segurança Nacional sob pretexto de incitar a desordem coletiva.

A rigor, o então líder metalúrgico lutava por melhores condições de trabalho, pela independência dos sindicatos em relação ao Estado e o direito à liberdade, em todos os níveis, inclusive o de expressão. Curiosamente, na sexta-feira, não foi preso, mas conduzido forçadamente, ou coercitivamente, como diz a letra fria da lei, a prestar esclarecimentos sobre supostos envolvimentos em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, os mesmos que combateu durante boa parte de sua vida pública.

De 1980 a 2016, a vida de Lula sofreu muitas reviravoltas. A prisão naquele ano, seguida de absolvição no Superior Tribunal Militar (STM), só fez aumentar o prestígio político do líder metalúrgico que incomodava a ditadura durante as greves na região do ABC paulista.

Clique na imagem para ver a trajetória de Lula completaMarcelo Regua / Agência O Dia

Coincidentemente, foi justamente 1980 o ano de fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), hoje uma das principais siglas do país, tendo Lula, desde o início, entre suas fileiras principais e, já há mais de três décadas, como sua principal liderança.

Derrotado nas eleições para o governo de São Paulo em 1982, Lula foi um dos principais nomes, em 1983/84, das Diretas Já, movimento que clamava a volta do direito dos brasileiros elegerem diretamente seu presidente, mas que não conquistou seu objetivo de imediato.

Eleito deputado federal em 1986, participou da elaboração da Constituição de 1988 que devolveu ao povo o direito de escolher seu mandatário, e, no ano seguinte, candidatou-se pela primeira vez à Presidência da República. Foi derrotado no segundo turno por Fernando Collor de Mello, que acabaria afastado do cargo em 1992, por acusações de corrupção, após campanha que teve, novamente em Lula, uma de suas grandes lideranças.

Em 1994, o líder petista tentou pela segunda vez se eleger presidente, mas não foi páreo para Fernando Henrique Cardoso, eleito graças ao sucesso do Plano Real, que controlou a inflação galopante que corroía o bolso do trabalhador brasileiro e garantiu-lhe, também, a reeleição em 1998, novamente contra Lula.

Duas décadas após a prisão de 1980, com forma e conteúdo repaginados por marqueteiros, e alianças firmadas com antigos adversários, Lula chegou, enfim, à Presidência, em 2002. Em oito anos no poder, sua gestão foi marcada por históricas conquistas sociais e maculada por escândalos de corrupção jamais vistos no país, mas que até então nunca chegaram diretamente a seu nome.

Há dois dias, Lula se viu novamente prisioneiro. Por cerca de quatro horas. O futuro, do ex-presidente e do país, é incerto. Certo é que a história está ganhando novos capítulos, que podem variar de um fim político e melancólico de um ex-presidente à ressurreição retumbante de um líder popular.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia