Coluna do aposentado: Balcão de emprego cancelado

Denúncia de desvio de verba faz sindicato suspender parceria com ONG suspeita de fraude

Por thiago.antunes

Rio - As denúncias de irregularidades no repasse de verbas do Ministério do Trabalho para o Centro de Atendimento ao Trabalhador (Ceat) forçaram a direção do Sindicato Nacional dos Aposentados, da Força Sindical, a cancelar a implementação do balcão de empregos que seria criado no Rio.

As duas entidades são parceiras em projeto que encaminharia aposentado a vaga no mercado de trabalho. O presidente do sindicato, João Batista Inocentinni, disse à coluna que o convênio com o Ceat está suspenso até o fim das apurações.

Investigações da Polícia Federal apontam que cerca de R$ 18 milhões, de um total de R$ 47 milhões repassados pelo ministério ao Ceat desde 2009, teriam sido desviados por meio de contratos fraudulentos.

Empresas prestadoras de serviços que têm sócios no quadro de gestão da ONG seriam responsáveis pelas fraudes. Durante a semana, a Operação Pronto Emprego mobilizou 150 agentes federais e auditores do Tribunal de Contas da União (TCU), que fizeram buscas em São Paulo, Rio e Brasília. Sete gestores do Ceat, entre eles um padre, a presidente Jorgette Maria Oliveira, e um assessor da Secretaria de Políticas Públicas de Emprego foram presos em flagrante.

Ao inaugurar a sede no Centro do Rio, em julho deste ano, o sindicato repetiria a parceria que já funcionava em São Paulo. O convênio foi assinado no dia 1º de maio.

Inocentinni disse que a criação do balcão de empregos na sede do Rio está suspensa até o fim das investigaçõesAgência O Dia

“Enviamos um documento à direção do Ceat em São Paulo dando 48 horas para que prestassem esclarecimentos. Se não nos respondessem iríamos cancelar o convênio. No Rio, a implementação do balcão de empregos já foi suspensa até o resultado final das apurações da PF”, afirmou Inocentinni. 

O presidente do sindicato garantiu que a parceria não envolveria repasse de verbas do Ceat ao sindicato. “Nós cedemos espaço para eles fazerem o trabalho de intermediação de mão de obra. Eles ficavam responsáveis por trazer o pessoal, computadores”, explica.

PF fez busca no sindicato

João Batista Inocentinni conta que agentes da Polícia Federal estiveram na sede do sindicato em São Paulo para fazer busca e apreensões de equipamentos que pudessem conter indícios de que a entidade teria recebido recursos do Ceat. “Ficaram por duas horas averiguando, mas não apreenderam nada”, diz o presidente.

A parceria em São Paulo encaminhava, em média, de seis a sete aposentados para tentar vaga no mercado de trabalho.

O balcão de empregos do sindicato no Rio funcionaria na sede do sindicato no Mercado das Flores 5, na Praça Olavo Bilac, no Centro.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia