Em ano de Copa, há locais econômicos para viajar

Fluxo de turistas no Brasil encarece voos e hospedagens no ano do Mundial. Mas em períodos alternativos é possível fazer a viagem caber no orçamento

Por thiago.antunes

Rio - A Copa do Mundo vai encarecer o turismo em 2014. Espera-se que os 600 mil estrangeiros que o Brasil receberá — além dos cerca de três milhões de brasileiros que circularão pelas 12 cidades-sede —, pressionem a demanda por hospedagens e voos, elevando preços não apenas durante o evento, mas também antes e depois da competição. Isso não significa, contudo, que sua viagem custará uma fortuna.

É possível garimpar destinos mais econômicos fora da rota do Mundial, e encontrar datas com menor demanda por hotéis e passagens. Contanto, recomendam especialistas, que a pesquisa seja feita, no mínimo, três meses antes da viagem. As disparidades de preços para viajar durante o Mundial serão gritantes em alguns casos, como apontou um levantamento do site de comparação de preço de passagens e hotéis Skyscanner.

Presidente da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), Marco Ferraz diz que quem prefere fugir da Copa pode encontrar boas opções em cidades do Nordeste como Maceió e boa parte do litoral da Bahia, além de municípios da Serra Gaúcha, no Sul. Estima-se que os altos preços vão se estender antes e depois dos jogos (entre 13 de junho e 12 de julho), já que muitos estrangeiros aproveitarão para conhecer outros destinos no país. As férias de julho serão antecipadas pela mudança do calendário escolar este ano, alterando as viagens dos brasileiros.

Gramado%2C na Serra Gaúcha%2C é um dos destinos recomendados pelas agências de turismo para fugir da CopaDivulgação

A baixa temporada no país em 2014 deve ocorrer entre a semana seguinte ao Carnaval e a primeira semana de junho, e entre o fim de julho e novembro. Mas os preços só vão ser vantajosos para quem fizer reservas com antecedência, lembra o presidente da Braztoa. “Este ano haverá também uma ‘mini’ baixa temporada em fevereiro, já que o Carnaval será tardio”, diz Ferraz.

Segundo Carla Calil, da agência Stella Barros, o segundo semestre, principalmente entre fim de julho e início de outubro, será período de promoções. “Haverá oportunidades de viajar pelo Brasil com descontos de até 50%, desde que se feche os pacotes com vários meses de antecedência”, afirma.

Brasileiros pretendem passear mais

Conforme o Ministério do Turismo, a intenção de viagem do brasileiro para o início deste ano é recorde: 37% dos consultados em dezembro pretendem viajar nos próximos seis meses no país e exterior. O número cresceu mais entre a baixa e alta rendas: 17,9% dos que ganham até R$ 2,1 mil pretendem viajar neste semestre, contra 8,8% no ano anterior. Já 61,4% dos que têm renda acima de R$ 9,6 mil planejam fazer o mesmo, contra 53,3% em 2012.

Levantamento feito pelo iG no comparador de preços de hotéis Trivago, em 7 de janeiro, mostrou que o valor médio das diárias em 18 capitais, incluindo as cidades-sede, estava mais em conta a partir de agosto, em relação a todo o primeiro semestre. Setembro foi o mês mais em conta para se hospedar em todas as cidades. Entre elas, Salvador e Curitiba (cidades-sede), ofereciam diárias mais caras entre o Carnaval e maio do que durante a Copa.

Senacon investiga

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, investiga a Match Services, agência de turismo ligada à Fifa, por supostamente inflacionar o preço da rede hoteleira do Brasil durante a Copa do Mundo.

Comissão alta

Coordenadora do Procon carioca, Solange Amaral diz que a companhia deteria 70% dos 54 mil quartos que compõem a rede hoteleira do Rio e teria ad estipulado comissão para cada apartamento alugado entre 25 e 30%. Ela reforça que a Match direciona suas locações às grandes companhias, como Coca-Cola, Nike e Apple.

Match rebate

Assessor de imprensa da Match, Andreas Herren disse que o contrato entre a empresa e a Fifa limita-se a identificar os hotéis mais adequados para a entidade, as seleções internacionais e a imprensa mundial. “Dizer que detemos 70% dos apartamentos é completamente louco”, frisou.

Não informou

Porém, Herren não informou qual o número de quartos que a Match opera devido à empresa estar sob sigilo por conta das investigações da Senacon.

Mais de 70%

Vice-presidente da ABIH, Sonia Chami reforçou que a Match deteria, sim, mais de 70% dos bloqueios nos hotéis 4 e 5 estrelas. “Caso sejam identificados preços abusivos em função de comissões, a Senacon e Procons estadual e municipal vão intervir”, informou Sonia.

Reportagem de Taís Laporta

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