Por thiago.antunes

Rio - Se, por um lado, as escolas técnicas de Nível Médio ajudam na inserção dos jovens no mercado de trabalho, por outro, estimulam também a cultura empreendedora. Em contato desde cedo com o ambiente profissional, os adolescentes começam logo a pensar em abrir os próprios negócios e colocar em prática os conhecimentos.

Pablo e Henrique%2C de 18 anos%2C já ganham dinheiro criando jogosFabio Gonçalves / Agência O Dia

É o caso dos amigos Pablo Alexandre Nascimento Salgado e Henrique Bráulio Elias Galeno, ambos de 18 anos. Eles se formaram no ano passado no curso de Programação de Jogos no Colégio Estadual José Leite Lopes, do Núcleo Avançado em Educação (Nave), uma parceria da Secretaria de Educação com o Instituto Oi Futuro. Hoje, trabalham juntos criando jogos e aplicativos para a internet.

“O Henrique faz a arte e eu fico com a parte da programação. Para criar um jogo simples, levamos cerca de quatro dias. Nossos games podem ser baixados gratuitamente na internet, mas ganhamos dinheiro com os anúncios”, explica Pablo.

Enquanto trabalham, eles se preparam para o vestibular. Os dois pretendem ingressar no curso de Sistemas de Informação, na Universidade Federal Fluminense (UFF). “Com o que a gente conseguir arrecadar com os jogos, queremos montar nosso próprio escritório, depois de concluirmos a faculdade”, conta Henrique.

Diretora do Nave, Ana Paula Bessa diz que o objetivo da escola não é apenas formar para o mercado de trabalho. “Nossa função é ajudar no desenvolvimento humano dos alunos, inclusive estimulando a construção da sua autonomia”, afirma.

Essa é também a proposta do Colégio Estadual Chico Anysio, parceria com o Instituto Ayrton Senna. Trata-se de um Ensino Médio de formação geral, não profissionalizante, mas com atividades direcionadas à autonomia dos adolescentes, por meio da construção da identidade e da formulação de um projeto de vida.

Diretor do Instituto Gênesis da PUC-Rio, José Alberto Aranha avalia que os jovens têm procurado uma maior integração com o trabalho, levando à formação da cultura empreendedora. “Estamos saindo da era industrial, onde pessoas eram robôs, para um momento em que o capital é o conhecimento, a inteligência. Os jovens hoje se sentem mais responsáveis, querem ser ativos na sociedade, participar das mudanças”, defende.

- Ensino Médio profissionalizante

Nave

Parte do Núcleo Avançado em Educação (Nave), o Colégio Estadual José Leite Lopes, na Tijuca, é uma parceria com o Instituto Oi Futuro. Oferece cursos de Multimídia, Roteiro para Mídias Digitais e Programação de Jogos Eletrônicos.

Erich Walter Heine

O Colégio Estadual Erich Walter Heine, em Santa Cruz, oferece Ensino Médio integrado ao curso técnico de Administração. É uma parceria com a ThyssenKrupp CSA.

Miécimo da Silva

O Centro Interescolar Estadual Miécimo da Silva, em Campo Grande, oferece cursos técnicos em Administração, Edificações e Informática.

Nata

O Colégio Estadual Comendador Valentim dos Santos Diniz, em São Gonçalo, é parte do Núcleo Avançado em Tecnologia de Alimentos (Nata), parceria com o Instituto Pão de Açúcar. O Ensino Médio é integrado à formação em panificação e laticínios.

Hebe Camargo

No Colégio Estadual Hebe Camargo, em Pedra de Guaratiba, alunos saem formados no Nível Médio, como técnicos em Telecomunicações. É uma parceria com a Fundação Xuxa Meneghel.

Ceffa Rei Alberto I

Em Nova Friburgo, o Centro Educativo Familiar de Formação por Alternância (Ceffa), da rede estadual, oferece formação técnica em Administração.

Barão de Langsdorff

O Centro de Ensino Integrado Agroecológico Barão de Langsdorff, em Magé, forma os alunos em técnicos em Agropecuária.

D. Pedro II

Em Petrópolis, o Colégio Estadual Dom Pedro II oferece o Ensino Médio integrado ao curso técnico de Produção de Áudio e Vídeo.

Infante Dom Henrique

No Colégio Estadual Infante Dom Henrique, em Copacabana, os alunos saem com formação técnica em Hospedagem.

Círculo operário

Em Duque de Caxias, o Colégio Estadual Círculo Operário oferece o Ensino Médio integrado aos cursos técnicos em Metrologia e Biotecnologia.

Faetec

A Fundação de Apoio à Escola Técnica, vinculada à Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, tem 37 unidades no Rio, com 47 cursos técnicos. Entre eles, Administração, Guia de Turismo e Marketing.

Senai

Oferece habilitação técnica de Nível Médio nas áreas de Automação, Bebidas, Logística, Metalurgia, Segurança do Trabalho, Automotiva, Eletricidade, Mecânica e Petróleo.

Cefet

Tem cursos de Educação Profissional Técnica nas áreas de Construção Civil, Geomática, Indústria, Informática, Saúde, Gestão, Turismo e Hospitalidade e Telecomunicações.

Transformação da Educação no Estado do Rio

Os resultados positivos alcançados com as Dupla-Escolas, criadas em 2008, deixaram o secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, otimista. Ele agora quer continuar investindo no modelo. Atualmente, são 41 colégios com período integral. Entre eles, estão as unidades de Ensino Médio integrado aos cursos profissionalizantes; as escolas bilíngues; e de Ensino Normal, para formação de professores.

No Colégio Nave%2C alunos estudam Tecnologias da Informação (TI)Fabio Gonçalves / Agência O Dia

“Tudo que temos feito até este momento foi para minimizar o prejuízo histórico na Educação no estado. As escolas nesse modelo integral tiveram índices reduzidos de evasão e o desempenho dos alunos melhorou muito”, argumenta Risolia.

De acordo com ele, o objetivo é que em dez anos, 100% da rede estadual seja composta por Dupla-Escolas. Algumas das unidades que ofertam cursos de formação profissional contam com parceiros da iniciativa privada, que cobrem os custos com os professores técnicos e os laboratórios, por exemplo.

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