Rio - Os bares e restaurantes não têm do que reclamar dos termômetros passando dos 40º. O segmento é o que mais fatura com o forte calor dos últimos dias. As altas temperaturas aumentam cerca de 20% o faturamento dos comerciantes, que atendem a um volume maior de clientes que, para se refrescar, preferem ficar para mais um chope com amigos antes de voltar para casa.
Presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes (SindRio), Pedro de Lamare diz que sair do trabalho e passar num bar e se reunir com colegas de trabalho passou a ser uma característica do carioca. Contudo, neste ano está ainda mais intenso.
“Todo verão, a frequência aumenta em média 15%. Porém, com o calor atual está mais forte. Estimamos que o volume de pessoas em bares e restaurantes, após o trabalho, subiu cerca de 20%”, analisa Lamare, dizendo que mesmo com o fim do horário de verão o movimento deve continuar em alta. “Normalmente reduz quando o horário de verão acaba. Mas, com o calor atípico neste mês, acredito que o movimento nos bares vai se manter alto”, avalia.
Já na Construção Civil, o forte calor reduz a produtividade nos canteiros de obra. Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio (Sinduscon-Rio), Roberto Kauffmann alega que os operários tem rendimento menor. “Este calor excessivo faz o trabalhador parar mais vezes ao dia para beber água e para descansar”, afirma.
Ventiladores sobem menos neste verão
Se os produtos de alto consumo no verão, como cerveja e chope (10,92%) e água mineral (9%), subiram 8,61% — ante inflação de 5,59% — no acumulado dos últimos 12 meses, os valores de eletrodomésticos cresceram bem menos. Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) para a chamada “inflação de verão” apontou que o preço de ar-condicionado subiu 3,77% e os ventiladores e circuladores de ar ficaram apenas 2,27% mais caros.
Para o economista André Braz, a concorrência pode ter segurado os preços: “É um efeito de mercado. A multiplicidade de marcas e modelos ajuda a conter o avanço de preços, mesmo no contexto de maior demanda.”