Falta de trigo provocará alta de até 15% no preço do pão

Biscoitos e massas também vão sofrer reajuste com queda de produção do insumo

Por thiago.antunes

Rio - O custo do café da manhã vai pesar mais no bolso do carioca e muito por culpa do pão francês. O produto tem sofrido reajustes desde o início do ano. E um novo aumento deve chegar a 15% nos próximos meses. O preço médio do quilo do pão nas padarias da cidade está em torno de R$ 10 e com a correção iria a R$ 11,50. De acordo com o Sindicato da Indústria do Trigo do Rio (Sinditrigo), a justificativa para a alta está em fatores externos como dificuldades de importar o produto do principal fornecedor, que é a Argentina, e a valorização do dólar.

Outros derivados da matéria-prima, como o macarrão e o biscoito, também podem sofrer reajustes nos próximos meses nos supermercados. Segundo Rudolf Reiter, presidente do Sinditrigo Rio, o setor produtor de trigo está pagando 28% a mais pelo insumo desde fevereiro, gerando alta do preço da farinha em 15%.

“Este ano não tivemos safra de trigo no Brasil para a produção de farinha. Há dois meses estamos pagando 28% a mais pelo trigo importado dos Estados Unidos. Afinal a Argentina, principal fornecedora, limitou a exportação a 1,5 milhão de toneladas ao Brasil. Há dois anos, recebíamos seis toneladas do país vizinho”, diz Reiter.

O técnico em eletrônica Carlos Henrique da Silva%2C 42 anos%2C lembra que em dois anos o preço de oito pães subiu de R%24 1%2C50 para R%24 4Uanderson Fernandes / Agência O Dia

O presidente afirma que as perdas de produção de trigo, por conta do clima desfavorável, continuam prejudicando a indústria alimentícia brasileira. “A redução do produto argentino foi de 48% na comparação com o ano passado e 87% quando comparado a 2012”, analisa.

Segundo ele, não há indício de que a situação vai melhorar. “A cotação dos preços internacionais está alta e a safra mundial do trigo disparou nos últimos meses. O preço do grão vai subir e não temos como absorver o custo, tendo que repassar para o consumidor final”, enfatizou o dirigente.

Morador da Lapa, o técnico em eletrônica, Carlos Henrique da Silva, de 42 anos, diz que compra oito pães por dia. Na padaria que costuma frequentar o quilo do produto custa R$ 10,90. Ele conta que pagava há dois anos R$ 1,50 pela quantidade e hoje gasta R$ 4. “Compro pão todos os dias para a minha família, mas acho muito caro. Se pudesse diminuiria a quantidade, mas não tem como. Não quero nem pensar para quando vai aumentar”, diz.

Vendas do pão de forma sobem

O setor de pães industrializados, os chamados “pães de forma”, apresentou um crescimento de 16% em faturamento ano passado em relação a 2012, atingindo R$ 4,09 bilhões. Em volume, o crescimento foi de 2% atingindo 1,017 milhão de toneladas no ano passado. Os números são da Associação Brasileira da Indústria de Massas Alimentícias e Pão & Bolo Industrializados (Abima).

De acordo com a entidade, os produtos industrializados têm aceitação de 71% no mercado brasileiro. Para Cláudio Zanão, presidente da Abima, o crescimento deste mercado tem se mostrado constante. “Os novos hábitos dos brasileiros, que valorizam cada vez mais uma alimentação equilibrada e prática, têm elevado a procura por esse tipo de produto. Além disso, o quilo do pão industrializado é mais barato do que o do pão francês e sua durabilidade muito maior”, diz.

“Estamos trabalhando junto ao governo federal para a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins do pão industrializado, assim como acontece com o pão francês que já é desonerado”, completa.

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