Argentina dá calote após impasse com credores dos EUA

Atenção se volta agora para bancos do país

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - A Argentina deu calote nesta quinta-feira em seus credores pela segunda vez em 12 anos depois que fracassaram as conversas de última hora com fundos chamados “abutres” pelo país. Agora, as atenções se voltam para os grandes bancos e fundos, se esses vão solicitar a declaração de “evento de crédito”, ou seja, se também não vão honrar suas dívidas vencidas.

Após batalha legal com fundos que rejeitaram a reestruturação da dívida argentina depois do calote de 2002, a terceira maior economia da América Latina não conseguiu chegar a um acordo. E ontem entrou no chamado em “default”.

Bandeiras são vendidas em Buenos Aires no dia da moratóriaEfe

O chefe de gabinete da Argentina, Jorge Capitanich, criticou o mediador Daniel Pollack, nomeado pelo tribunal dos Estados Unidos, chamando-o de “incompetente”. Capitanich incentivou detentores de títulos de dívida reestruturada a exigirem seu dinheiro do juiz norte-americano que bloqueou um pagamento em 30 de junho, levando o país a dar calote.

MELHOR QUE HÁ 12 ANOS

Mesmo grave, a situação está muito longe do caos que aconteceu após o colapso econômico do país em 2001-2002, quando a economia afundou com um governo em bancarrota, e milhões de argentinos perderam seus empregos. Desta vez o governo é solvente. Quanto o país sofrerá com o calote dependerá da rapidez com que a Casa Rosada conseguirá encontrar uma saída para o problema.

“Este é um ‘default’ muito particular, não existe um problema de solvência, e tudo depende da rapidez com que isso será resolvido”, disse o analista Mauro Roca, do Goldman Sachs.

O ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, declarou, por sua vez, que a Argentina não entrou em situação de moratória pois “está pagando suas dívidas”. Ele Afirmou que ainda há margem para negociações para impedir que se chegue a esse extremo. “Não creio que a Argentina esteja num ‘default’ porque ela está pagando as suas dívidas. Então, o país não está dando o calote. É uma situação ‘sui generis’, uma situação excepcional porque quem está impedindo a Argentina de fazer o pagamento é um juiz americano”, declarou.

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