Por bferreira

Rio - A economia brasileira teve forte retração no segundo trimestre do ano, conforme informações divulgadas ontem pelo Banco Central (BC). Criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) registrou queda de 1,2% entre abril e junho, na comparação com o trimestre anterior. Foi a maior contração desde o primeiro trimestre de 2009 (-2,67%), quando o país sentia os efeitos da crise financeira internacional. A comparação foi feita pelo indicador dessazonalizado, ou seja, sem influência das variações por época do ano.

Os números revisados indicam ainda que a economia brasileira já pode estar em recessão técnica, que se caracteriza por dois trimestres consecutivos de queda do PIB, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Conforme o BC, o nível de atividade, medido pelo IBC-Br, recuou 0,28% no quatro trimestre de 2013. No primeiro trimestre deste ano, teria caído 0,03% e, agora, no segundo trimestre de 2014, registrou contração de 1,2%.

Nos seis primeiros meses, segundo o BC, foi registrada uma alta de apenas 0,13%. No acumulado de 12 meses até junho, a prévia do PIB teve alta de 1,41%. O resultado oficial do PIB do segundo trimestre sairá dia 29, quando será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

ANTECEDENTE

O IBC-Br foi criado para tentar ser um “antecedente” do PIB. O índice do Banco Central incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. Os últimos resultados do IBC-Br, porém, não têm mostrado proximidade com os dados oficiais do PIB, divulgados pelo IBGE.

Em 2012, por exemplo, o IBC-Br mostrou um crescimento de 1,6%. Posteriormente, o resultado oficial do PIB mostrou uma alta menor, de 1%. O mesmo aconteceu em divulgações trimestrais do PIB, quando o indicador não correspondeu aos resultados oficiais do PIB – divulgados pelo IBGE.

Índice também define taxa de juros

Antes divulgado por estados e regiões, desde de 2013, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) passou a ser calculado com abrangência nacional. “A estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores da economia acrescida dos impostos sobre produtos, que são estimados a partir da evolução da oferta total (produção mais importações)”, informou o BC.

O índice é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros (Selic). Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. Porém, a Selic está em 11% ao ano e a expectativa do mercado é que fique assim até dezembro.

Pelo sistema de metas de inflação, o BC precisa calibrar os juros para atingir as metas preestabelecidas. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis.

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