Brasília - O Banco Central anunciou pacote de estímulo ao crédito que pretende estimular a injeção de R$ 25 bilhões na economia. Somando ações semelhantes adotadas pelo BC no fim de julho, a autoridade monetária abriu espaço para que entrem R$ 70 bilhões no mercado de crédito, que vem perdendo fôlego nos últimos meses diante também da falta de confiança na retomada da economia.
Em comunicado oficial, o BC anunciou que elevará a partir da próxima segunda-feira de 50 para 60% a parcela do recolhimento compulsório a prazo que pode ser cumprida com operações de crédito, o que abre espaço para liberar R$ 10 bilhões. Também decidiu restabelecer em 75% chamado o Fator de Ponderação de Risco (FPR) para todas as operações de crédito de varejo, independentemente do prazo, liberando outros R$15 bilhões. Até então, o FPR variava conforme o segmento de crédito e a extensão do empréstimo, encarecendo as operações.
“Os ajustes consideram a fase atual do ciclo de crédito no Brasil e se inserem nos processos de revisão das medidas macroprudenciais adotadas a partir de 2010 e de continuidade da convergência da regulação brasileira aos parâmetros internacionais de Basileia”, informou o BC, referindo-se ao momento em que os empréstimos cresciam de forma vigorosa após o auge da crise internacional de 2008.
MEDO DO FUTURO ATRAPALHA
As ações mais recentes foram tomadas menos de um mês depois de o BC ter anunciado medidas semelhantes que, na época, tinham potencial para estimular o mercado de crédito em até R$ 45 bi, sendo 30 bi com mudança em compulsórios e o restante com alterações no FPR.
Naquele momento, especialistas acreditavam que as medidas não teriam grande efeito na oferta de empréstimos, pela avaliação de que a recente desaceleração do crédito é alimentada pela pior percepção de risco diante da deterioração das perspectivas econômicas.
Compra de veículo terá incentivo
O Banco Central esclareceu que as alterações nos recursos também têm por objetivo direcionar uma parcela maior de crédito para as compras de carros. As operações antigas, vencendo neste ano, não estão sendo renovadas.
Para novos financiamentos, a dedução de 60% do depósito compulsório (recursos para operações de crédito) irá considerar incremento em relação à média praticada no primeiro semestre de 2014.
Se os bancos aumentarem em mais de 20%, por exemplo, suas operações de crédito para veículos, eles poderão deduzir o mesmo valor do que deduziriam na regra anterior.
A medida chega depois que os empréstimos para compra de veículos pelas pessoas físicas registraram queda de 3,2% no primeiro semestre.