Gasolina vai ter mais álcool

Aumento na composição de 25% para 27% fará veículo mais velho ter desempenho menor

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - O governo e os representantes do setor sucroalcooleiro acertaram nesta segunda-feira proposta de aumentar de 25% para 27% o teor de álcool anidro na composição da gasolina comum. O acerto foi feito com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante para entrar em vigor no dia 15. A proposta precisa, no entanto, ser aprovada pela presidenta Dilma.

A iniciativa do lobby dos usineiros é prejudicial aos proprietários de carros mais antigos, movidos a gasolina pura e que estão longe da flexibilidade dos motores mais atuais. Com a nova mistura, os modelos mais velhos vão apresentar resultados aquém dos que estavam no projeto original. Segundo especialistas, os veículos vão consumir combustível com baixo poder calorífico, ou seja, a queima da gasolina será prejudicada, o que significa que a eficiência deles diminuirá. A grosso modo, os carros passarão a consumir mais combustível.

O prejuízo que o consumidor terá pode ser confirmado na declaração oficial da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) que recomendou o uso de gasolina Premium, que nas bombas chega custar, em média, R$ 4,698, o litro no Posto BR Andaraí e R$4,39, no BR Barramar, na Barra. Como a gasolina Premium é de alta octanagem e destinada a veículos importados de alto desempenho, com distribuição limitada, ela terá menos álcool — a mistura fica em 25% — com preço mais elevado.

Por exemplo, para os proprietários de Santana, Monza, Escort, Gol, Saveiro e Uno antigos a gasolina, vai sobrar ainda a maior corrosão de sistemas de alimentação, como dutos, tanques e bombas e maior manutenção a médio prazo.

“O desempenho vai piorar e o consumo será maior. Vão ‘batizar’ ainda mais com álcool. Quem quiser ter desempenho melhor terá que comprar gasolina aditivada ou Premium, bem mais caras”, reclama o pintor Edson da Conceição, 49 anos, ao abastecer seu Fiat Tipo, no Centro.

Aditivada não terá alteração

Inicialmente será mantido o limite de 25% de mistura de álcool para a gasolina aditivada. Segundo o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, a intenção é que, em breve, o percentual também aumente para 27% para a gasolina Premium.

“Mesmo antes da nova mistura já sentia diferença de desempenho do carro. Agora, então, vai ficar pior ainda. Sem contar que esta composição faz a gente gastar mais com manutenção do veículo. Automóvel antigo como o meu não aceita o álcool e certamente minha despesa com o mecânico vai aumentar. Ainda bem que ando mais de moto”, comenta Franklin Oliveira, 26 anos.

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