Pezão veta mais cortes e Sérgio Ruy se demite

Secretário pediu exoneração após divergências com governo sobre os cortes nas despesas do estado

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Divergências sobre os cortes nas despesas do governo do estado levaram o secretário da Fazenda Sérgio Ruy Barbosa a pedir exoneração. A saída foi anunciada ontem pela pasta, que informou que o cargo será assumido pelo então secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno.

No início de janeiro, o governador Luiz Fernando Pezão havia publicado decretos para cortar gastos públicos. O objetivo seria reduzir as despesas em pelo menos R$ 1,5 bilhão para compensar a queda na arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e a perda de 22% nos royalties do petróleo.

Uma das determinações estabelecia redução de até 20% nas despesas dos órgãos do governo. Mas segundo uma fonte do alto escalão do Palácio Guanabara, Sérgio Ruy teria defendido que os cortes deveriam ser superiores, chegando a 30%. O então secretário também queria que as reduções fossem mais imediatas, e não a médio e longo prazos, como o governador determinou.

O secretário Sérgio Ruy Barbosa%3A “Podemos cobrar até 5 anos para trás. Após esse prazo%2C a dívida é extinta” Divulgação

Outra fonte ligada à pasta informou que alguns secretários teriam reclamado com o governador sobre as exigências de Sérgio Ruy, com a justificativa de que a redução de 30% inviabilizaria o funcionamento dos órgãos.De acordo com o membro do alto escalão, as divergências desgastaram a relação entre o secretário e o governador. Após período de férias, Ruy decidiu deixar a Fazenda e Pezão teria acatado imediatamente. “Quando alguém pede para sair, o governador não é de prender. Se não está satisfeito, sai”, declarou o integrante do Executivo.

Sérgio Ruy foi secretário de Planejamento e Gestão desde o primeiro mandato do ex-governador Sérgio Cabral, em 2007. Era conhecido no funcionalismo público estadual como “Sérgio Ruim”, justamente pela rigidez no controle dos gastos e dificuldade em negociar reajustes.</CW>

Em nota, o governo informou que o secretário deixou a pasta por motivos pessoais. Especula-se que Sérgio Ruy esteja cotado para integrar a diretoria da Petrobras, caso Eduarda de La Rocque, atual presidente do Instituto Pereira Passos, assuma o cargo de presidenta da companhia. Seu nome apareceu ontem entre as possibilidades para substituir Graça Foster.

Já para assumir a pasta de Desenvolvimento Econômico no lugar de Julio Bueno o mais cotado é José Domingos Vargas, presidente da Agência de Fomento do Estado, vinculada à secretaria.

Secretário deixou legado no Planejamento

À frente da Secretaria de Planejamento e Gestão desde o início do governo Cabral, em 2007, Sérgio Ruy Barbosa teve como principal legado a implantação de três sistemas corporativos, que reformularam o modelo gerencial vigente no estado. São eles o Sistema Integrado de Gestão de Aquisições (Siga), Sistema Integrado de Gestão de Recursos Humanos (SIGRH-RJ) e Sistema de Gestão do Patrimônio Imobiliário do Estado (SISPAT-RJ). Em 2011, já no segundo mandato, implantou o Sistema de Inteligência em Planejamento e Gestão (Siplag).

Sérgio Ruy também foi o responsável pela implantação do Projeto Identidade Funcional, que concluiu a identificação biométrica de todos os 460 mil servidores ativos, inativos e pensionistas do estado. Além disso, de 2010 a 2012 foi presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad), que reúne secretários de todos os entes da Federação. Deixou o Planejamento para comandar a Secretaria de Fazenda do Rio em julho de 2014.

Seu sucessor, Julio Bueno, também atuou como secretário de Desenvolvimento Econômico desde 2007. Este ano, teria o desafio de implementar o programa de parceria público-privada (PPP) para desenvolver as áreas de saneamento da Baixada Fluminense e de mobilidade urbana no Rio.

Comandaria os projetos de PPPs de extensão do metrô entre as estações Estácio-Carioca até a Praça XV e Linha 3 (São Gonçalo-Itaboraí), e a expansão do programa Rio Digital, levando fibra ótica para todo o serviço público estadual. Bueno foi diretor e presidente do Inmetro até 1999 e da Petrobras Distribuidora entre 2001 e 2003. Naquele ano, assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo do Espírito Santo.

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