IBGE cancela contagem da população

Municípios que recebem repasses federais ficaram em alerta. Não há data para nova coleta de dados

Por bferreira

Rio - O cancelamento, por parte do governo federal, da Contagem Populacional de 2016 feita pelo IBGE deixou em alerta as prefeituras que recebem verbas da União. O corte foi feito por falta de verbas. A pesquisa influencia os valores repassados pelo governo para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Todas as cotas são estabelecidas de acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU). Cerca de 70 milhões de domicílios em 5.570 municípios seriam visitados. Sem a coleta, o TCU vai receber uma estimativa e não os dados consolidados.

Segundo o IBGE, não há expectativa de quando ocorrerá a Contagem Populacional. Ainda de acordo com o órgão, 225 mil pessoas seriam contratadas temporariamente para fazer o levantamento nas cidades.

O Ministério do Planejamento esclareceu, por meio de nota, que a pasta e o IBGE estabeleceram o planejamento dos projetos a serem desenvolvidos pelo instituto em 2015 e 2016, a partir das restrições orçamentárias e financeiras existentes, da mesma forma que todos os órgãos da administração pública federal.

Segundo o ministério, a Contagem da População 2016 não poderá ser executada em função de “seu alto custo, estimado em R$ 2,6 bilhões, valor que não está previsto no orçamento de 2015.”

Apesar do corte, ficaram preservadas as demais pesquisas do IBGE, inclusive o Sistema de Contas Nacionais, PNAD Contínua, POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) e o Censo Agropecuário 2017. Conforme o Ministério do Planejamento, essas são consideradas de “fundamental importância para os diagnósticos macroeconômicos e para o conhecimento da realidade social brasileira”. Já a Contagem Populacional é um estudo intermediário, que ocorre entre os Censos Demográficos — que acontecem a cada dez anos — para atualizar os dados referentes à população.

O IBGE negociava nas últimas semanas a possibilidade de a contagem não ser cancelada. Apesar disso, não conseguiu reverter os cortes e teve que anunciar a interrupção do levantamento. Mesmo que fosse executado em 2016, as contratações temporárias teriam que ser feitas este ano, assim como toda a elaboração do projeto. Em 2014, o IBGE teve que adiar outras pesquisas, que culminaram na greve dos servidores e no pedido de exoneração do cargo de alguns diretores.

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