Loucos por viagens, jovens criam novos negócios turísticos

Mas nem só blogueiros e empreendedores podem trabalhar fora dos escritórios

Por O Dia

Rio - Acordar, enfrentar o trânsito caótico, trabalhar, ficar preso no trânsito novamente, chegar em casa e dormir. E repetir essa rotina durante todos os dias até se aposentar. Para os jovens da geração Y ou Millenium, esse estilo de vida está longe de ser o ideal. Em busca de liberdade e autonomia, eles trocaram o escritório pelo mundo, e contam com a ajuda da tecnologia para trabalhar enquanto viajam.

Casal Manoela e Rafael criou uma consultoria de viagensarquivo pessoal

A partir da sua paixão por conhecer novos lugares, a publicitária Manoela Pontual e o relações públicas Raphael de Almeida Rocca, ambos com 26 anos, decidiram abandonar as agências onde trabalhavam para criar uma startup online de viagens customizadas. Atualmente, eles estão na Tailândia, de onde administram o site e os negócios. “A Plot surgiu quando a gente começou a procurar alternativas para viver viajando. Nosso plano é ficar um ano no Sudeste Asiático, depois voltar para o Brasil e começar a planejar a próxima viagem. Não queremos voltar para o antigo modelo de trabalho”, conta Raphael. A Plot oferece dois tipos de serviço: consultoria de destino (R$ 120 pelo projeto de viagem) e elaboração de roteiro (R$ 20 por dia planejado). “Pesquisamos mercado e vimos que existem empresas que trabalhavam com isso, mas para clientes de luxo. Nosso objetivo era o contrário, mostrar que todos podem viajar. Por isso o preço mais em conta. No curto prazo a rentabilidade é menor, mas a médio e longo prazo a gente consegue atender mais pessoas e montar um banco de dados”, conclui o empresário.

O mercado de turismo também atraiu os amigos Luíza Antunes, 26, Natália Becattini, 27, e Rafael Sette Câmara, 29, para a criação de um blog de viagens, o 360 Meridianos. “Aconteceu em 2011, quando nos preparávamos para fazer intercâmbio de seis meses na Índia. Resolvemos juntar aquela viagem com um projeto maior, de volta ao mundo. Ficamos quase 11 meses viajando, período em que passamos por Espanha, Itália, França, Inglaterra, Índia, Nepal, Hong Kong, Malásia, Tailândia, Cingapura, Indonésia, Nova Zelândia, Chile e Peru. Fazer um blog foi natural. Mas foi só um ano depois de voltarmos para o Brasil que largamos nossos empregos. Nossas famílias ficaram assustadas. E monetizar o blog não foi fácil mesmo. Foram seis meses de trabalho até que o 360 Meridianos fosse capaz de dar um salário para cada um. Hoje nós trabalhamos muito mais do que quando éramos funcionários, mas temos liberdade para trabalhar do jeito que gostamos e de onde quisermos”, conta Rafael.

Ex-sócia de uma agência de assessoria de imprensa no Rio, Thaís Freitas também deixou tudo para se dedicar ao blog Viajadora. “Vendi minha parte na empresa e vim fazer uma pós-graduação em Marketing no Canadá. Enquanto isso trabalho no blog, em parceria com a minha amiga de infância Mariana Yusim. A gente nunca vai ficar rica que nem as blogueiras de moda, mas é possível ter uma vida simples e tranquila com a renda do blog. Minha ideia é terminar a pós e viajar pelo mundo depois trabalhando remotamente com marketing digital e content marketing”, conta Thaís.

Mas nem só blogueiros e empreendedores podem trabalhar fora dos escritórios. O mercado freelancer também oferece diversas oportunidades para profissionais que não gostam de ficar parados. Diretor internacional do portal Freelancer.com, Sebastian Siseles afirma que além de trabalhar de qualquer lugar do mundo, esse modelo possibilita que o profissional preste serviço para empresas de vários países.

“O mundo online é igual ao mercado de trabalho convencional. O primeiro passo é sempre o mais difícil. Depois que o profissional constrói uma reputação e torna sua marca conhecida, fica mais fácil de conseguir trabalhos”, aconselha. O próprio Sebastian, aliás, vive como nômade. Apesar de ter residência fixa em Buenos Aires, na Argentina, ele só fica cerca de 10 dias por mês em casa. O resto do tempo passa entre São Paulo, Bogotá, Vancouver, Londres e Sidney. “Procuro viajar no sábado, para ter o fim de semana para visitar as cidades”, explica.

‘Meu capital é intelectual’

Levantamento feito pelo Freelancer.com mostra que 74% dos usuários do portal registrados até o final de 2014 estavam na faixa etária entre 18 e 34 anos. No Brasil, a maior parte dos usuários é de São Paulo (13%). De acordo com Gustavo Mota, diretor-executivo da plataforma We Do Logos, que conecta profissionais freelancers a micro e pequenas empresas que demandam serviços de design, há profissionais que conseguem ganhar até R$ 4 mil por mês.

O arquiteto de sistemas Aldrin Leal, por exemplo, consegue tirar toda a sua renda de trabalhos freelancer. “Para mim foi uma coisa libertadora. Eu tinha antipatia de sair de casa para trabalhar. Atualmente eu vivo onde quero, basta ter o meu computador ou até outro, pois posso acessar meus dados na nuvem. Meu capital é puramente intelectual. É um novo estilo de vida”, avalia.

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