Rio - A crise econômica muda os hábitos e o comportamento dos consumidores. Isso você percebe e pode tirar uma conclusão por você mesmo. Certamente você está atento ao noticiário, a inflação que não cede, aos juros altos e as medidas duras de ajuste da economia, que são um indicador seguro de que a vida do brasileiro em geral só deve melhorar no ano que vem.
Por isso, 8 em cada 10 pessoas estão pessimistas e admitem mudar as suas decisões de compra. No entanto, as pesquisas mostram também uma novidade, que aproximadamente um terço delas, não quer mudar o seu perfil de consumo. Como continuar a consumir a mesma coisa sem gastar mais?
Nos últimos anos o cidadão aproveitou a melhoria da renda para sofisticar os seus gostos, passando a consumidor itens que aos quais não tinha acesso. Agora na crise, não dá para simplesmente dizer para ele deixar de consumir. Esse grupo é aquele que passou a comprar vinho, iogurte, suco de fruta em caixinha, pratos prontos congelados, queijos e frios sofisticados, cerveja de marca prêmio, sobremesas industrializadas, refrigerante familiar diet ou zero, chá engarrafado, água de coco industrializada, camarão pré-cozido, salmão, bife de picanha ou filé mignon, file de peito de frango, ovo caipira, itens orgânicos, entre outros.
Mais uma vez o jeitinho brasileiro arranjou solução para isso. O cidadão diminuiu a quantidade comprada sem alterar a sua cesta de consumo e partiu para escolher certos produtos que ele não considera essenciais, se fixando nas marcas genéricas ou em promoção. Logo, ele procura comprar a marca conhecida ou própria mais barata. Por exemplo, do arroz, feijão, macarrão, sabonete, detergente, pasta de dente, papel higiênico de folha dupla, pão de forma, açúcar, sal, esponja de aço e outros, mas sem abrir mão do seu vinho chileno, da cerveja de fórmula estrangeira ou do iogurte grego. No final, o resultado é manter o mesmo patamar de despesa, levando a mesma variedade de itens, sem onerar a conta no caixa do supermercado.
Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral