Rio - O governo só deve começar a anunciar cortes de despesas administrativas a partir do início da próxima semana, apesar de o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), ter afirmado na véspera que essas medidas já começariam a ser apresentadas ontem.
As primeiras medidas devem ser relativas a cortes de despesas de custeio e as mudanças nos ministérios devem requerer mais tempo, disse uma fonte que participa da articulação política do governo. No final do mês passado o governo anunciou que faria uma reforma administrativa, incluindo a meta de cortar 10 ministérios dos atuais 39 existentes.
Entre os cortes em despesas administrativas estariam gastos com funcionários terceirizados, cargos comissionados e despesas de rotina, como transportes e comunicações. Segundo a fonte, somente as medidas de enxugamento no custeio poderão responder por um terço da redução total de custos que o governo pretende obter.
O governo enviou ao Congresso Nacional o Orçamento de 2016 com a estimativa de déficit primário de R$ 30,5 bilhões e depois se comprometeu a fazer cortes e ajustes para atingir a meta de superávit para o ano que vem, equivalente a 0,7% do PIB. O governo também vem discutindo formas de aumentar a arrecadação, entre elas a criação de impostos ou elevação de alíquotas de tributos já existentes.
Dias depois do envio, a nota de crédito do país foi rebaixada pela agência de classificação de riscos Standard & Poor's, o que tirou do Brasil o selo de bom pagador pela agência. Na quinta-feira, a S&P rebaixou o rating de mais 33 empresas e ontem rebaixou de governos e municípios, como o Rio de Janeiro.
O adiamento das mudanças manteve os mercado financeiros agitados. Ontem o dólar avançou 0,69%, a R$ 3,8771 na venda, maior nível de fechamento desde 23 de outubro de 2002, quando foi a R$ 3,915. No ano, o dólar acumula alta de 45,68% sobre o real. (Reuters)