Por felipe.martins

Rio - Menina dos olhos dos governos petistas, o Bolsa Família poderá sofrer corte de até R$ 10 bilhões no ano que vem, se depender do relator do Orçamento da União de 2016, deputado Ricardo Barros (PP-PR). Em reunião na segunda-feira com líderes da base aliada e o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, o parlamentar manifestou o desejo de cortar o valor, cerca de 35% dos R$ 28,8 bilhões destinados ao programa. Ele também pretende reduzir as verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para bancar as emendas impositivas ao Orçamento - valores que parlamentares usam para obras em seus redutos eleitorais.


Segundo o deputado, o corte, se aprovado, impedirá o ingresso de novos beneficiários no programa: quem recebe continuará recebendo, mas não entrará ninguém na vaga de quem saiu. Ele esclareceu que ainda não há martelo batido sobre a questão.


“Não está acordado isso ainda, será feito um debate democrático. Estudei o assunto o suficiente para propor esse corte”, garantiu Barros ao DIA. Ele afirmou estar “seguindo a mesma política do governo”. “O que proponho é o que foi feito com relação ao Minha Casa, Minha Vida, Ciências Sem Fronteiras e Pronatec. Não há prejuízo aos que já recebem os benefícios”, afirmou.


O anúncio da possibilidade de cortes no Bolsa Família — que completou 12 anos ontem — provocou reações contrárias entre parlamentares da base. A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Tereza Campello defendeu “cada centavo gasto”. A ministra destacou que as fraudes não chegam a um por cento do programa e criticou a contaminação das “políticas públicas pelo debate político”.


Questionado sobre o impacto político da ideia, visto que o programa de distribuição de renda é uma das maiores bandeiras dos governos Lula e Dilma, Ricardo Barros disse que não “não haverá impacto algum”. “Vai ser um corte viável. O governo mesmo diz que 72% dos beneficiários trabalham”, afirmou, em referência a dado divulgado em 2013 pelo Planalto.


“O relator pode apresentar seu parecer, mas quem decide é o Congresso.Eu acho muito difícil aprovar uma medida como essa. E o governo se contrapõe a esse corte", afirmou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).

Você pode gostar