Por felipe.martins

Rio - O trânsito carioca não flui e seu carona no carro lhe dá uma sugestão: vai pela pista da direita porque depois que dobrarmos a esquina, é a pista onde o fluxo de veículos vai mais rápido. O conselho do amigo é fruto de observação frequente dos fatos e de sua vivência. O palpite é meramente especulativo, mas em boa dose das vezes, funciona.


Agora, se transportarmos a situação para a economia o sentido pode não ser o mesmo. Veja só, um amigo da academia de ginástica pergunta: Ouvi dizer que o ministro Levy vai se demitir, é verdade? É melhor comprar dólar, não é? Antes que eu responda o meu interlocutor completa: especuladores devem estar rindo de tanto ganhar dinheiro com a bagunça que fizeram na economia.</CW>


O termo especular, na verdade, não tem sentido negativo. Embora alguns possam discordar, mesmo na economia, é fruto da investigação e da observação dos fatos por qualquer cidadão (ou agente econômico, se quiser sofisticar). Assim como escolher o melhor caminho no trânsito, decidir em quais ativos financeiros investir pode ser resultado de conhecimento dos fatos e da intuição.


Tem se falado na eventual queda de Joaquim Levy. Se for confirmada, independente de quem será o substituto (aposta-se em Henrique Meirelles), provocaria forte valorização do dólar frente ao real, assim como colocaria em risco a continuidade das medidas de ajuste fiscal (ainda não aprovadas no Congresso), traria mais pessimismo, inflação e juros altos. Mesmo com a situação econômica ruim e o momento político delicado e imprevisível, é melhor torcer pela continuidade do Levy e das medidas de correção propostas.


Se depois da esquina o especulador aposta que o fluxo do trânsito vai melhorar, é melhor especular que se o ministro Levy não dobrar a esquina, nada melhora e só tende a piorar na economia.


Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral.

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