PM cerca palácio e evita chegada de grevistas

Eles pretendiam se encontrar com um representante do governo estadual. Protesto, que durou o dia inteiro, provocou congestionamentos, mas foi pacífico

Por tamyres.matos

Rio - Professores voltaram às ruas nesta quinta-feira para um novo protesto. Eles se concentraram de manhã, desde 10h, no Largo do Machado com o objetivo de seguir em passeata até o Palácio Guanabara, em Laranjeiras, e depois até o Palácio da Cidade, em Botafogo. Mas a tentativa de se aproximar da sede do governo estadual esbarrou numa barreira de centenas de policiais militares, que bloquearam diversas ruas no entorno.

O clima ficou tenso durante toda a tarde. Mas, por volta das 18h, a manifestação, que mobilizou cerca de 200 profissionais, se dispersou. Parte dos grevistas voltou para o Largo do Machado. De lá, um pequeno grupo, de cerca de 50 pessoas, seguiu para a Assembleia Legislativa, mas logo a manifestação acabou.

Cordão de isolamento impediu a aproximação de professores ao Palácio GuanabaraAlexandre Vieira / Agência O Dia

Os black blocs, que haviam recebido apoio dos professores na véspera e que foram citados durante discursos ontem no carro de som do sindicato dos professores, não vieram em peso: havia meia dúzia deles. Houve um princípio de tumulto no início da passeata por causa da presença de três PMs que se misturaram aos manifestantes.

O protesto de ontem reuniu majoritariamente professores da rede estadual e da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec). O objetivo era se reunir com representante do governo do estado para negociar o fim da greve, que já dura dois meses. “Fomos ontem (quarta-feira) nos gabinetes de todos os deputados estaduais e avisamos que queremos ser recebidos pelo governo, mas eles parecem ignorar isso”, disse o professor Marcelo Costa, do sindicato da Faetec.

O grupo de profissionais da educação ocupou as duas pistas da Rua Pinheiro Machado, onde fica o Palácio Guanabara, a partir das 14h, o que causou muitos congestionamentos na Zona Sul, com reflexos no Centro. Eles tentaram durante toda a tarde se aproximar da sede do governo estadual, mas a barreira de policiais conseguiu impedir que isto acontecesse.

PM abraça, mas barra ex-professora

A professora de matemática Virgínia Azambuja, de 55 anos, participou da passeata de ontem e, como todos os profissionais presentes, só queria chegar até o Palácio Guanabara para tentar ser ouvida pelo governo. Porém, teve uma surpresa: na linha de frente dos PMs que barraram o avanço da passeata estava o soldado Ronny Pessanha, de 21 anos, ex- aluno de Virgínia, entre os anos de 2008 e 2010.

Professora Virginia Azambuja encontrou%2C durante a manifestação desta quinta%2C um ex-aluno%2C Ronny%2C que%2C com farda da PM%2C isolava área do palácioAlexandre Vieira / Agência O Dia

“Ela me ajudou a passar de ano”, disse o policial. Apesar do carinho pela professora, Ronny tinha ordens para não deixar a antiga mestra passar pelo cerco. “É um misto de alegria e tristeza encontrá-lo nesta situação, em lados opostos”, resumiu Virgínia Azambuja.

Sepe organiza ato no Centro para o Dia dos Professores

O Sepe pretende reunir na próxima terça-feira, dia 15, quando será comemorado o Dia do Mestre, 100 mil pessoas numa manifestação no Centro do Rio. Segundo a coordenadora do Sepe, Marta Moraes, a passeata acontecerá durante a tarde e sairá da Candelária em direção à Cinelândia.

“Colocamos 50 mil no último ato e, desta vez, o governo vai ver que a negociação é o único caminho, pois os professores não vão fugir à luta”, avaliou Marta, que adiantou a estratégia do Sepe para evitar confrontos com a PM.

“Vamos contar com a ajuda de diretores do sindicato para observar e identificar pessoas infiltradas em nosso movimento para causar tumultos. Temos muitas senhoras em nossas passeatas e estamos preocupados com o que ocorreu da última vez. Não vamos aceitar provocações”, disse.

Na concentração de ontem, no Largo do Machado, alguns professores voltaram a agradecer a atuação dos black blocs em defesa dos professores, principalmente no dia 28.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia