Rio - Garimpados em escolas públicas como verdadeiras pedras preciosas, eles superaram adversidades com muita determinação, passaram na peneira das seleções mais concorridas e conquistaram vagas em colégios e instituições de excelência.
Para chegar lá, jovens de origem simples foram lapidados por iniciativas de ONGs, universidades particulares e políticas públicas. A missão é garantir — por meio de bolsas de estudo, vestibular social e cursos profissionalizantes — que talentos cheguem às portas do Ensino Superior.
As ações fazem parte da rotina acadêmica de instituições como o Instituto Lecca, Ibmec, PUC-Rio, UniCarioca, Estácio, Veiga de Almeida e o Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos (Ismart). Este último acaba de abrir inscrições para selecionar 70 jovens, com idades entre 12 e 14 anos, de colégios municipais e estaduais do Rio para colégios como o São Bento e PH. Atualmente, 1.005 bolsistas participam do programa na capital fluminense e em São Paulo.
Aluno do 2º ano do Ensino Médio no São Bento, Vinícius Lourenço Seabra, de 16 anos, é um dos beneficiados pelo Ismart. Morador do Engenho Novo, entrou no colégio em 2012. “No início achei que seria difícil a adaptação. Hoje, adoro estudar lá. Os colegas gostam da gente porque estudamos muito e viemos de escola pública”, orgulha-se Vinícius, em dúvida entre a carreira de engenheiro ou matemático.
Ao contrário do Instituto Lecca, que só trabalha com crianças superdotadas, no Ismart a busca é por alunos inteligentes, mas sobretudo, esforçados. “Nós vamos além do talento, procuramos jovens que sejam motivados, autônomos, persistentes e que tenham brilho nos olhos”, detalha a gerente de Seleção Erica Ruiz.
Para os alunos do 7º ano, o Ismart oferece cursinho preparatório de dois anos para o Ensino Médio no contraturno escolar, por meio do Projeto Alicerce. No caso de alunos do 9º ano, os estudantes ingressam no programa Bolsa Talento e participam das aulas do Ensino Médio com alunos regulares das escolas parceiras.
Jonathan Campos de Almeida, 20, enfrenta quatro horas de trânsito de Campo Grande até a Barra da Tijuca para cursar Administração no Ibmec, graças ao programa Prossiga, mantido pela Secretaria Estadual de Educação (Seeduc). “O ensino é puxado e eu estudo como louco. Sei que o único caminho é pelo estudo. Trabalhar só depois de me formar”, diz ele, que pretende prestar concurso público.
Ex-aluna do colégio estadual Miécimo da Silva, em Campo Grande, Aimée Magalhães, 20, também ganhou bolsa. Cursa Jornalismo no Ibmec da Barra. “Se não fosse a bolsa de estudo, não teria condição de pagar faculdade desse nível.”
Alunos conquistam mais de 90% das vagas
Este ano, o programa Estrela Dalva, mantido pelo Instituto Lecca, aprovou mais de 90% de alunos de baixa renda em escolas públicas de excelência. Dos 24 candidatos do programa que fizeram prova para os colégios Pedro II e de Aplicação da Uerj, 22 garantiram vagas em turmas dos ensinos Fundamental e Médio em quatro unidades. Criado em 2007, o programa busca atender crianças e adolescentes superdotados nas escolas municipais do Rio.
Os alunos selecionados estudam, em média, nove horas por dia, leem um livro por semana, visitam museus e centros culturais e recebem acompanhamento de professores dedicados. As tarefas são feitas depois do horário escolar, na sede do instituto, na Lapa.
A superintendente do programa Maria Clara Sodré conta que, muitas vezes, crianças com inteligiência muito acima da média acabam por abandonar a escola pública pelo tédio ou porque acabam se opondo aos professores. “Esses meninos são como uma mina de diamante. Dão trabalho porque exigem muito da escola e da família. Mas é uma riqueza que não pode ser desperdiçada”, reconhece a pedagoga Maria Clara.
- Seleções
Instituto Lecca
Abre em setembro seleção nas escolas municipais do Rio. Psicólogos avaliam 2.500 alunos no 3º ano do Ensino Fundamental. Os 24 melhores são preparados durante dois anos para disputar vagas nos colégios Pedro II, CAP da Uerj e Colégio Militar. Recebem bolsas de estudo da Cultura Inglesa por seis anos e todo o material didático.
Ismart
Estão abertas inscrições pelo site (www.ismart.org.br) para o processo que vai selecionar alunos do 7º e 9º anos da rede pública para 70 bolsas de estudo no Colégio de São Bento e PH. A inscrição pode ser feita até 12 de junho pelo professor ou pelo próprio aluno. A seleção é realizada em cinco etapas: teste online, prova presencial, entrevista individual, visita domiciliar e dinâmica de grupo. Além de custear a mensalidade na escola privada, o programa garante aos bolsistas um valor extra para cobrir gastos com uniforme, material escolar, alimentação e transporte.
Prossiga
Os melhores alunos do Ensino Médio da rede estadual do Rio concorrem a bolsas de estudo integrais na PUC, na UniCarioca, no Ibmec, na Estácio e na Veiga de Almeida. Informações no site da Seeduc (www.educacao. rj.gov.br).