Peregrinos penam em pontos de ônibus na Central na volta da missa da Jornada

Poucos ônibus que circulavam na madrugada em direção à Zona Oeste já chegavam lotados à Central do Brasil, onde muitos peregrinos esperavam pela condução

Por tiago.frederico

Rio - A volta da missa que marcou o início da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) na noite desta terça-feira, na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, foi um verdadeiro teste de fé e perseverança para os peregrinos que acompanharam a celebração. À 1h30, brasileiros, argentinos e italianos esperavam por ônibus na Central do Brasil e lutavam por um lugar nos poucos que circulavam do Centro para a Zona Oeste do Rio, onde a maioria estava hospedada. Uma estrangeira sofreu uma tentativa de furto.

Peregrinos sofrem na espera por ônibusOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Segundo o DJ Leandro Amaral de Paula, de 19 anos, de Itu, em São Paulo, os poucos ônibus das linhas 397 e 398 já passavam pela Central do Brasil lotados. Ele e outros 27 jovens esperaram por cerca de duas horas uma condução para Campo Grande, na Zona Oeste. Ao sair de Copacabana, o objetivo do grupo era embarcar em um dos trens na Central do Brasil. Eles, no entanto, foram desaconselhados pelo motorista do ônibus que pegaram a desistir da ideia devido a insegurança do transporte durante a madrugada.

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Ele revelou ainda que uma peregrina foi vítima de uma tentativa de furto. Segundo Leandro, um homem abriu a bolsa da jovem e chegou a pegar a carteira dela quando ia embarcar em um ônibus. O bandido, porém, deixou o objeto cair no chão e fugiu. Tudo foi recuperado. Ele criticou a falta de segurança na Central do Brasil e a perspectiva do grupo embarcar em um ônibus devido a demora.

Apesar da longa espera por ônibus%2C peregrinos não perderam a alegriaOsvaldo Praddo / Agência O Dia

"Esse tipo de situação cria uma imagem ruim para o Brasil. Além de brasileiros há italianos, argentinos aqui no ponto na mesma situação. Ainda vamos sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas", alertou o técnico em segurança Mateus Henrique, de 18 anos, também de São Paulo. O grupo conseguiu embarcar para Campo Grande por volta de 2h.

Um grupo de cerca de 40 jovens argentinos penou por cerca de cinco horas na Central do Brasil para também seguir para Campo Grande. Apenas com o cartão de transporte especial para a Jornada, que permite até oito viagens por dia, eles tiveram que acionar a paróquia onde estão hospedados em Campo Grande. O ônibus que trouxe o grupo da Argentina fez o resgate dos "hermanos" em um posto de gasolina em frente a Central do Brasil, onde eles se abrigaram, depois de ficar abandonados em um ponto de ônibus.

Bióloga em busca de indonésios na Central

"É um absurdo deixar esses jovens estrangeiros indefesos, expostos a toda a sorte num lugar que todos sabemos que é perigoso como a Central do Brasil. Ainda bem que o ônibus deles veio buscá-los. Vou dormir tranquilo. Fiz a minha boa ação durante a Jornada", desabafou Maurício Luis Paiva, de 44 anos, que ajudou a 'protege'r o grupo na Central do Brasil.

Motorista do consórcio Intersul, ele transportou no ônibus da linha 415 (Usina-Leblon) o grupo de argentinos até a Central do Brasil depois da missa em Copacabana. Ao voltar à Central para ir para casa, em Campo Grande, por volta de 1h, encontrou o grupo no mesmo lugar.

Centenas de pessoas ficaram sem transporte por causa do fehamento do metrô nesta terça. Na imagem%2C a Estação Carioca lotadaJoão Laet / Agência O Dia


A bióloga Ana Paula Simões Piccoli, de 32 anos, foi até a Central do Brasil tentar localizar um grupo de 80 indonésios que foram a missa em Copacabana. De um grupo de 100, apenas 20 deles chegaram à Paróquia de Santa Cecília, em Brás de Pina, na Zona Norte, onde estão hospedados. Integrante do grupo de oração da Renovação Carismática da igreja, ela disse que a maioria não conseguiu embarcar nos trens da SuperVia, devido ao grande número de fiéis. A última composição, ainda de acordo com ela, saiu da Central à 1h.

"A Prefeitura do Rio fez um esquema de trânsito que não funcionou ou pecou pela falta de informação. Não deu vazão. Não tem ônibus, não tem trem", criticou Ana Paula.

Paralisação no metrô

As Linhas 1 e 2 do metrô ficaram interrompidas por cerca de duas horas na noite desta terça-feira. Por volta das 16h30, uma queda de energia na Estação Uruguaiana interditou a Linha 2 e, às 17h25, a Linha 1, que funcionava da Estação Siqueira Campos até a Glória. Segundo a concessionária responsável, as linhas entraram em operação às 18h50.

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