Adversidades no catolicismo

Em países onde religião não é maioria, cristãos enfrentam desafios para professar a fé

Por thiago.antunes

Rio - Católico. A palavra grega, na tradução para o português, significa ‘universal’. E a presença de 175 países na Jornada Mundial da Juventude comprova isso. A fé é a mesma, mas as condições de vivê-la são bem diferentes. Entre os peregrinos, há os que vão à missa todo domingo e aqueles para quem ser católico é crime.

Cerca de 70 jovens da China participam do encontro com o Papa Francisco ‘clandestinamente’, já que o governo comunista prega o ateísmo e proíbe a vivência da fé. A população pode participar, apenas, da chamada igreja católica ‘patriótica’, ligada ao poder e sem vínculo com o Vaticano.

Pároco na Igreja São Francisco Xavier, na Tijuca, o padre José Li GuoZhong, chinês que mora no Brasil há 30 anos, conta que, na China, o site da Jornada foi bloqueado e os peregrinos se inscreveram como sendo de Hong Kong e Taiwan: “Não há liberdade religiosa e os católicos verdadeiros integram a Igreja subterrânea, que é clandestina e perseguida”.

Infográfico mostra número de católicos pelo mundoArte%3A O Dia

O panorama não é muito diferente em países árabes, segundo André Chevitarese, do Instituto de História da UFRJ. Em locais como Irã, Egito, Iêmen e, sobretudo, Arábia Saudita, para ser considerado cidadão, é preciso professar a fé islâmica. “Um muçulmano convertido ao catolicismo terá graves problemas”, disse.

O egípcio Tony Nader, 22 anos, conta que católicos são minoria no país até pouco tempo atrás governado por Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana. “Até na hora de procurar emprego, eles optam pelos muçulmanos ao invés dos católicos. Fico triste ao ver padres sendo mortos”, relata.

O palestino Nakhleh Ghattas, 19, lamenta não poder visitar locais históricos para o catolicismo, como Jerusalém. “Devido ao muro de Israel, somos proibidos de ir ao lugar onde Jesus morreu”, conta. Na Europa, o problema é o esvaziamento das Igrejas. O padre Rafael Fornasier morou no continente (Bélgica e França) cerca de cinco anos e testemunhou o aumento do secularismo e o abandono da fé.

Argentino Ortiz (à esq.) diz que o catolicismo é forte em seu paísJoão Laet / Agência O Dia

Para ele, o fato não ocorre devido aos escândalos religiosos. “Há a baixa taxa de natalidade e o aumento da mentalidade imediatista, pragmática e consumista. Com isso, o aspecto transcendente fica em segundo plano”, aponta.

América Latina tem sinal verde

Sem perseguições, a América Latina é o local mais ‘amigável’ para professar a fé católica. Professora do departamento de História da Unicamp, Eliane Moura da Silva explica que, na região, o catolicismo é forte devido à influência da colonização europeia.

No Brasil, ela lembra que o catolicismo foi a religião oficial do Estado até a Proclamação da República, em 1889. “Fomos descobertos sob o bastão da Igreja Católica”, disse.

Estudante de uma universidade católica na Argentina, Bruno Ortiz reza todos os dias, frequenta as missas dominicais e ajuda o padre durante as celebrações. Ele conta que pertence a uma família religiosa e se sente privilegiado por ser de um país com maioria católica. “Além de tudo, o Papa é argentino. Somos, de fato, abençoados”, elogia.

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