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Mulheres que fazem fertilização  escolhem perfil do pai do bebê em listas

Solteiras, casadas com homens inférteis ou homossexuais que fazem o procedimento escolhem doador em planilhas com tipos físicos, profissões e até hábitos

Por tabata.uchoa

Rio - Engenheiro com hábitos de leitura e cabelos castanhos, ou artista plástico loiro e adepto de esportes radicais? As opções não envolvem a escolha de um futuro marido, mas compõem a lista do maior banco de sêmen do país, o Pro-Seed, em São Paulo. A planilha com aspectos físicos, profissões e até hobbies dos doadores é entregue a mulheres que querem ter filhos por fertilização artificial, para que escolham o ‘perfil’ do pai biológico do bebê.

Entre as casadas cujos maridos são inférteis, o tipo de sêmen mais cobiçado é o que veio de doador de, em média, 1,75 m de altura, grupo sanguíneo O ou A (mais frequente no país), cabelo castanho e pele branca. Já as solteiras e as homossexuais preferem olhos azuis, cabelos louros, pele clara e altura superior a 1,80 m. Nos dois grupos, profissões com maior nível de escolaridade são unanimidade. “As casadas escolhem de acordo com as características do marido, normalmente o perfil do brasileiro”, diz a diretora do Pro-Seed, Vera Beatriz Fehér Brand.

O assunto volta à tona após resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), publicada dia 9, fixando regras para a reprodução assistida, entre elas o limite de 50 anos de idade para o doador de sêmen. “Trabalhávamos com o limite de 45 anos, mas vamos ampliá-lo, o que ajudará a conseguir mais doadores”, afirma Vera.

O Pro-Seed tem sêmen de 150 doadores anônimos, armazenados a 196 graus negativos. Com preço que varia entre R$ 1,5mil e R$ 2,2mil, o material é enviado a clínicas de todo Brasil. “Há mulheres que fantasiam na escolha do sêmen, mas isso não interfere na saúde do bebê: a má-formação é ligada à saúde da mulher e não ao espermatozoide”, lembra João Auler, diretor da Clínica Pró Nascer.

Após dois casamentos sem filhos, a empresária Lilian Braga, 56, recorreu à técnica para ter Patrick, 3 anos. Sem marido, ela escolheu alguém com características semelhantes às dela. O doador era um engenheiro loiro e de pele clara. “Congelei meus óvulos há dez anos e, em 2009, decidi ter filho. Foi uma gravidez maravilhosa”, conta.

Duas gêmeas e um embrião congelado

A apreensão por não engravidar deu lugar à surpresa de se tornar mãe de duas meninas, de uma vez. Casada há sete anos, Clarice Guerra, 30, se submeteu à fertilziação in vitro utilizando sêmen do próprio marido, Emerson.

Dois embriões foram colocados no útero da empresária e a resposta da gravidez positiva veio em agosto. “Foi uma emoção muito forte. Um embrião está congelado e penso em ter mais um filho daqui a uns cinco anos”, conta.

O procedimento custa em torno de R$ 15mil a R$ 20mil. Programa chamado ‘Acesso’, oferece a técnica pela metade do preço para casais de baixa renda (www.queroterumfilho.com.br)

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