Por tamyres.matos

O que uma dona de casa viciada em jogo, um escritor soropositivo e um autônomo com enxaquecas recorrentes têm em comum? Se você respondeu “doenças crônicas”, acertou em parte. A principal semelhança é a vontade de viver e trocar experiências. Pensando nisso, os amigos Guilherme Bello, Rodnei Couto e Bruno Siqueira, universitários da PUC-RJ, criaram a Amizade Positiva (www.amizadepositiva.com.br), rede social onde doentes crônicos, médicos, parentes e pessoas em geral podem compartilhar informações, sejam sobre doenças ou não.

Lançado há seis meses, o portal foi inspirado no caso do jovem Rafael Sanches, escritor amigo do trio. Após descobrir que era soropositivo, ele enfrentou dificuldade para se relacionar. “Eu não sabia qual era a melhor hora de falar sobre minha condição. Se dizia logo, a pessoa se assustava. Se esperava, se sentia traída”, conta. Segundo ele, o portal ajuda a evitar o isolamento e divulgar os principais avanços da medicina.

O trio de universitários da PUC-RJ criou o portal inspirado num amigo soropositivo que não conseguia se relacionarDivulgação

A rede foi fundamental para que o autônomo Renato Bello, 56, descobrisse o verdadeiro motivo de suas enxaquecas. “Sugeriram que meu problema era rinite. Fui ao médico e ele confirmou. Agora, com o tratamento correto, não sinto mais dores”.

O site também foi importante para que a dona de casa Maria de Fátima Silva, 65, admitisse que era viciada em jogo. “Quando entrei, não tinha mais razão de viver. Mas a gente passa esperança um para o outro”. Há três meses em tratamento, ela se sente melhor e procura nos amigos do portal a inspiração para continuar lutando.

Hoje, o Amizade Positiva já conta com 800 usuários. A maioria dos cadastrados têm HIV, diabetes, Parkinson ou câncer mas, para fazer parte, a única exigência é deixar de lado o preconceito.

Usuários saudáveis de corpo e alma

Não foi a doença, mas o aprendizado que levou o jornalista Pedro Corrêa, 29, a frequentar o Amizade Positiva. Com a saúde em dia, Pedro diz ter aprendido com os portadores de doenças crônicas formas mais produtivas de ver a vida.

“As pessoas com quem converso são motivadas, tomam decisões e correm atrás de coisas em que realmente acreditam, sem deixar para depois”, diz o rapaz. Segundo Pedro, o preconceito é o motivo principal do isolamento dos doentes crônicos. “A condição médica, assim como sexualidade, cor ou gênero, não devem ser barreiras para a sociabilidade”, declara.

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