Por juliana.stefanelli
Egito pede renuncia de Mohamed MorsiReprodução Internet

Cairo (Egito) - O prazo de 48 horas dado pelo Exército ao presidente do Egito, Mohammed Morsi, para resolver a crise política expirou nesta quarta-feira às 17 horas locais (12 horas em Brasília).

Antes do fim do ultimato, o Exército atuou para aumentar seu controle sobre instituições-chave, colocando funcionários na redação da TV estatal.

No Facebook, o assessor de Morsi afirmou que um golpe militar está em andamento, acrescentando, porém, que nenhum golpe poderá ter êxito contra a resistência popular sem um considerável banho de sangue.

"Pelo bem do Egito e pela precisão histórica, vamos chamar o que está acontecendo pelo seu nome real: golpe militar", disse na rede social. Funcionários do aeroporto disseram que uma proibição de viagem foi emitida contra o presidente, o líder da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, e seu vice, Khairat el-Shater.


Segundo os funcionários, a medida tem relação com a fuga de Morsi com outros 30 membros da Irmandade durante o levante de 2011 contra o autocrata Hosni Mubarak .

Grandes multidões de oponentes de Morsi estão reunidos na Praça Tahrir, no Cairo, e em outros locais em todo o país, empunhando bandeiras na expectativa de que o Exército atue para depor o presidente islâmico depois do fim do prazo.

Véspera: Morsi descarta renúncia em meio a protestos e pressão militar

As Forças Armadas não disseram se agiriam imediatamente logo após o ultimato expirar. Mas afirmaram que imporiam seu próprio plano político se Morsi fracassasse em satisfazer as demandas dos manifestantes.

Antes de o ultimato expirar, Morsi reiterou que não renunciará apesar da pressão dos milhões que saíram às ruas nas maiores manifestações que o país já viu, até superando as do levante que depôs Hosni Mubarak , em fevereiro de 2011. Segundo o líder egípcio, respeitar sua legitimidade eleitoral é a única forma de evitar a violência. Ele criticou o Exército por "tomar apenas um lado".

Multidão se reúne na Praça de Tahrir contra o presidente Mohamed MorsiReuters


"Um erro que não pode ser aceito, e digo isso como presidente de todos os egípcios, é ser parcial", afirmou em uma declaração divulgada por seu escritório. "A Justiça determina que as vozes das massas em todas as praças sejam ouvidas", disse, repetindo sua oferta para manter um diálogo com seus oponentes.

Você pode gostar