Por tamyres.matos

Rio - Banhos de sol podem se tornar obrigatórios. Projeto de Lei que tramita na Câmara dos Deputados, em Brasília, prevê que pessoas que trabalham em locais fechados tenham intervalos ao ar livre. O hábito é o principal meio de produção de vitamina D no organismo, substância que, em falta, pode causar doenças.

Pelo projeto, profissionais que passam ao menos seis horas em ambientes fechados, além de estudantes e pacientes internados, terão direito a 15 minutos de banho de sol, três vezes por semana. O ato deverá ser feito antes das 16h.

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Autor da proposta, o deputado Walter Feldman (PSDB-SP) explica que os raios ultravioleta, encontrados principalmente entre 10h e 16h, são fundamentais para produzir a vitamina. O recomendado é tomar sol nos braços, pernas, abdômen e costas, com o rosto protegido. “Fora desse horário é mais difícil sintetizar a substância. A única fonte da vitamina D é o sol, mas muitas pessoas acham que ele é um vilão”, disse, acrescentando que a lei determina campanhas sobre exposição segura ao sol.

O projeto prevê ainda o enriquecimento do leite com vitamina D. Segundo ele, a bebida, por ter gordura, seria a ideal para conservar as propriedades da vitamina. Antes de seguir para o Senado, o projeto de lei passará por comissões e pelo plenário da Câmara.

O arquiteto Daniel Simões, 28 anos, ficava mais de oito horas diárias dentro do escritório. Ano passado, descobriu, em exame de sangue, que sofria de carência de vitamina D e começou a usar remédios. Mas as taxas da substância só aumentaram quando a exposição ao sol virou parte da rotina.

“Fui transferido no trabalho e hoje passo mais tempo no sol. Tomando remédio por três meses, o nível da vitamina não subiu tanto como pegando sol”, conta.

Da hipertensão até o câncer

Pessoas com baixos níveis de vitamina D estão mais suscetíveis a doenças como câncer, hipertensão, raquitismo, infartos, osteoporose, diabetes, além de distúbios psiquiátricos, como depressão, esquizofrenia (no caso de adolescentes) e distúrbio bipolar.

O médico Cícero Coimbra, professor do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Unifesp, afirma que as enfermidades graves, como esclerose múltipla, seriam evitadas com pequenas doses da vitamina, adquiridas em poucos minutos de exposição solar. “Quem usa trajes de banho na beira da piscina no horário correto, em dez minutos obtém 20 mil ml de vitamina D”, disse.
Um frasco de compridos da substância custa, em média, R$ 40.

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