Ciclones tropicais simultâneos já mataram mais de 30 pessoas no México

Casos mais graves foram registrados no estado de Veracruz, no Golfo do México, onde o deslizamento de um morro matou pelo menos 12 pessoas

Por julia.amin

México - Mais de 30 pessoas morreram no México nos últimos dias e mais de 200 mil pessoas foram afetadas pelo impacto simultâneo de dois ciclones tropicais, uma confluência que não era registrada há mais de 50 anos no país.

"Desde 1958 não acontecem dois fenômenos meteorológicos simultaneamente originados de dois oceanos diferentes", disse em entrevista coletiva o diretor-geral da Comissão Nacional de Água (Conagua), David Korenfeld. Os responsáveis são os ciclones "Ingrid", vindo do Atlântico, furacão que se transformou em tempestade tropical e depois enfraqueceu se tornando uma depressão tropical , e "Manuel", uma tempestade tropical originada no Pacífico que nas últimas horas enfraqueceu e que também passou a ser uma depressão tropical.

A temporada de ciclones começou em 15 de maio, com a tempestade "Alvin" no Pacífico, e a expectativa é que se encerre em novembro. A confluência de "Ingrid" e "Manuel" gerou os maiores danos desta temporada no México. Os casos mais graves foram registrados nesta segunda-feira no estado de Veracruz, no Golfo do México, onde o deslizamento de um morro pelas chuvas causadas por "Ingrid" soterrou vários imóveis na comunidade de Xaltepec e matou pelo menos 12 pessoas. A informação foi divulgada em Veracruz durante uma sessão do Comitê Estadual de Defesa Civil, instalada para acompanhar as consequências das fortes chuvas registradas desde sábado.

Altos funcionários do governo atualizaram em entrevista coletiva nesta segunda-feira a informação meteorológica e seus efeitos, assim como as medidas realizadas para atender os afetados. O secretário do Interior, Miguel Ángel Osorio, informou que dois terços do México foram afetados nos últimos dias pelos dois fenômenos meteorológico. Só três dos 32 estados mexicanos não foram atingidos pelo ciclone.

Já o coordenador nacional de Defesa Civil, Luis Felipe Puente, informou que das 22 vítimas mortais, 15 foram registradas no estado de Guerrero (sul), três em Hidalgo (centro), três em Puebla (centro) e um em Oaxaca (sul). Número que não levou em conta os 12 mortos de Veracruz. O saldo de vítimas ainda é provisório, à espera dos estragos que "Ingrid", que tocou hoje o solo mexicano, no estado de Tamaulipas, já como tempestade tropical, com ventos constantes de 95 km/h e sequências de 110 km/h. "Ingrid" foi perdendo força ao longo do dia e às 16h (local, 18h em Brasília), a 15 quilômetros da capital de Taumalipas, Vitória, tinha transformado em depressão tropical, com ventos sustentados de 55 km/h e sequências de 75 km/h.

A situação se agravou por causa de uma tempestade fria originada na América do Norte e que impede os ciclones tropicais que afetam o México de se deslocarem para o norte, rota que deveriam seguir. 

O responsável da Defesa Civil informou que só em Guerrero há 238 mil pessoas gravemente As perturbações meteorológicas começaram na tarde de sexta-feira e ofuscaram a comemoração de 203 anos do início de sua luta pela Independência, celebrada hoje. O estado mais afetado em princípio é o de Guerrero, não só pelo número de mortos, mas pelos destroços que as fortes chuvas causaram. A estrada que conecta a capital com o centro turístico de Acapulco ficou fechada pelos deslizamentos de terreno.

O aeroporto de Guerrero também ficou fechado por um problema elétrico. Mais de 40 mil turistas estão presos em Acapulco por causa dos bloqueios e do mau tempo. Korenfeld, ao mensurar a quantidade de chuva que caiu nos últimos dias, disse que as precipitações no estado de Oaxaca equivalem a toda a água represada na maior bacia do México, e que em Guerrero choveu o suficiente para encher a segunda maior do país.

Em seu último boletim, o Serviço Meteorológico Nacional disse que nos próximos dois dias se esperam chuvas de intensas a torrenciais em quase todo o país e na península de Iucatã as precipitações serão de fortes a muito fortes. "Ingrid" e "Manuel" também estão provocando fortes ondas no litoral do México.

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