Vitamina é indicada no início da gestação e previne doenças no cérebro do bebê
Por tamyres.matos
Rio - Médicos de todo Brasil deverão estimular o consumo diário de ácido fólico entre gestantes e mulheres que querem engravidar. A recomendação é do Conselho Federal de Medicina (CFM), que distribuirá o aviso a 400 mil profissionais. A ingestão da substância pode reduzir os riscos de problemas cerebrais no feto em até 75%.
Uma das oito vitaminas do complexo B, o ácido fólico deve ser usado antes da concepção e nos três primeiros meses de gestação. A substância previne defeitos no tubo neural (estrutura que origina cérebro e medula). A formação completa do tubo ocorre entre os dias 17 e 30 após a concepção, normalmente antes do diagnóstico clínico da gravidez.
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A substância protege ainda contra deficiências congênitas, como fissura labial,anencefalia, paralisia de membros inferiores, além de doenças cardiovasculares e câncer. A medida do CFM atende solicitação da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Segundo José Hiran Gallo, diretor do CFM e relator da recomendação, o conselho irá solicitar aos órgãos públicos programas mais abrangentes de inclusão do ácido fólico nos alimentos. Outra providência será pedir aos gestores do SUS que disponibilizem a fórmula nos postos de saúde e nas farmácias populares.
“Além de se destinar às mulheres, para que usem o ácido fólico, a recomendação do CFM também se destina aos médicos, para que falem com suas pacientes sobre a necessidade do suplemento”, declara.
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A recomendação de consumo é de 0,4 a 0,8 mg/ dia. Alimentos como feijão, amendoim, lentilha, fígado e laranja contêm a vitamina. Porém, no período da gravidez, quando a necessidade do ácido fólico é maior, é necessária a suplementação com medicamentos.
Apenas 3% ingerem a vitamina na dose recomendada
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Pesquisa da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em pesquisa com 494 mulheres, mostrou que apenas 13,8% (68) receberam orientação e usaram ácido fólico na gravidez. E o pior: apenas 3,8% tomaram o suplemento na dose recomendada. Cerca de 60% (286) engravidaram sem planejar. “Dados demonstram que as mulheres não conhecem os efeitos do ácido. Quase 90% delas engravidaram sem usar a suplementação necessária. E não dá para depender apenas da alimentação”, diz Eduardo Fonseca, professor de Ginecologia e Obstetrícia da UFPB.
Em 2002, a Anvisa determinou a adição de 4,2mg de ferro e de 150mg de ácido fólico para cada 100g de farinha de trigo e de milho. No entanto, estudo da Universidade Federal de Pernambuco comprovou que esse acréscimo não tem sido suficiente. “Acho que isso ocorre, porque a indústria não está fazendo a adição do suplemento na dosagem correta e o governo não está fiscalizando”, avalia Eduardo.