Reforma da lei do aborto abre forte debate na Espanha
Aborto ficaria restrito a casos de estupro e de risco de saúde para a mulher
Por fernanda.magalhaes
Madri (Espanha) - A reforma da lei do aborto na Espanha, proposta pelo governo do Partido Popular (PP, de centro-direita), desencadeou um forte debate no país, inclusive dentro das fileiras do partido.
A proposta, elaborada pelo ministro da Justiça, AlbertoRuiz-Gallardón, restringe o aborto aos casos de estupro e de risco para a saúde física ou psíquica da mulher.
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Se for aprovada pelo Legislativo, acabaria com a atual lei, em vigor desde 2010 e aprovada pelo governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero, que estabelece prazos na gestação para a realização do aborto.
O anteprojeto de reforma aprovado pelo atual governo no mês passado, em dezembro, levantou um intenso debate dentro do próprio PP, em que alguns de seus "pesos pesados" expressaram certas reservas e pedem que se busque um consenso maior.
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Nos partidos da oposição, a rejeição é enorme e o líder dos socialistas (PSOE), Alfredo Pérez Rubalcaba, pediu hoje ao presidente, Mariano Rajoy, que guarde a reforma do aborto "em uma gaveta fechada a sete chaves" e o acusou de promover um modelo que vai "direto na jugular" dos direitos e das liberdades por pura ideologia e para fazer "negócio".
Na primeira reunião do ano da direção do PP, realizada nesta quarta-feira, ficaram patentes as diferenças sobre esta reforma no seio do partido do governo, já que o tema terminou desviando a atenção dos assuntos da agenda, como a preparação das eleições europeias deste ano e a economia.
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Na conferência, Rajoy defendeu a reforma alegando que cumpre como compromisso histórico do partido de voltar à lei de 1985. O presidente da região de Extremadura, do PP, José Antonio Monago, uma das vozes mais escutadas sobre a reforma do aborto, pediu a Rajoy que busque o máximo consenso neste assunto, enquanto seu correligionário e chefe do governo da Cantábria considera a proposta "melhorável".
Outro "peso pesado" no PP, o presidente de Múrcia, Ramón Luis Valcárcel, defendeu hoje "um maior nível de diálogo", da mesma forma que seu colega de Castela Leão, Juan Vicente Herrera.
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Alberto Núñez Feijó defendeu a legitimidade do Executivo de mudar a lei do aborto e elaborar outra nova, mas lembrou da busca por um maior consenso para evitar o que segundo ele, fez o governo anterior de impor uma lei sem apoios suficientes e "unilateralmente".
A primeira vice-presidente do Congresso dos Deputados, Celia Villalobos, propôs que se dê liberdade de voto aos deputados do PP quando a reforma chegar ao parlamento.
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O Partido Popular tem maioria absoluta no parlamento e poderia aprovar a reforma do aborto sem necessidade do apoio de nenhuma formação da oposição, se for mantida a disciplina de voto no partido, dominante na atividade política espanhola.
A votação do projeto de lei não poderá ser secreta porque, o regulamento do Congresso espanhol determina que, "em nenhum caso poderá ser secreta a votação nos procedimentos legislativos".
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Diante disso a oposição buscou uma fórmula para tornar possível o voto secreto e o PSOE e Esquerda Unida (IU) apresentaram no Congresso uma proposição não de lei, em que pedem que o governo retire o projeto de reforma antes de começar a tramitação parlamentar.
Neste caso poderia acontecer uma votação secreta se for pedida por dois grupos parlamentares ou pela quinta parte dos deputados ou membros da comissão parlamentar.
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Neste momento que entraria em jogo a importância da disciplina de voto que os grandes partidos exigem de seus deputados e da qual poucos se rebelam, já que quem age assim pode enfrentar sanções.