Por tamara.coimbra

Venezuela - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou na quarta-feira que o dirigente opositor Leopoldo López segue preso e que o mesmo acontecerá com todos os "fascistas", que, segundo ele, desafiam a Constituição e o Estado. López, contra quem existia uma ordem de prisão com várias acusações, entre elas homicídio e terrorismo, se entregou na terça-feira às autoridades após liderar uma grande manifestação. Ele está detido na prisão militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas.

O governo responsabiliza o opositor pela violência do último dia 12, quando uma manifestação estudantil acabou com três mortos e dezenas de feridos em Caracas, e que foi o estopim para protestos diários em todo o país com diversas reivindicações contra o Executivo. "Vai responder e vai a uma prisão, e vou fazer o mesmo com todos os fascistas estejam onde estejam", afirmou Maduro em uma cadeia de rádio e televisão. "Cada fato violento que acontece no país tem um responsável, um deles está preso, os demais irão um a um chegando pelo mesmo caminho à mesma cela", acrescentou.

O líder da oposição que se entregou a polícia%2C Leopoldo LópezReuters

Maduro insistiu mais uma vez que na Venezuela está ocorrendo um "formato de golpe de Estado contínuo para colocar a sociedade contra a parede, para encher o país de violência", com a finalidade de justificar uma eventual intervenção militar estrangeira. O presidente venezuelano também convocou os chefes políticos da oposição, em referência ao líder opositor e governador de Miranda, Henrique Capriles, e ao governador de Lara, Henry Falcon, a pedir aos que protagonizam atos de violência que cessem sua atuação.

A Venezuela viveu mais um dia de violência e tensão, enquanto manifestantes saíram às ruas novamente para protestar contra a insegurança, a inflação e a escassez de produtos no país. O Ministério do Interior confirmou que subiu para seis o número de mortos nos enfrentamentos ocorridos durante as manifestações. Uma das vítimas fatais é a Miss Turismo da Venezuela e estudante de marketing Génesis Carmona, 22 anos. Ela participava de um protesto contra o governo, na terça, na cidade de Valencia, no estado de Carabobo, e levou um tiro na cabeça. A bala foi disparada por homens em uma motocicleta.

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