Ucrânia - Um total de 28 pessoas morreram nos distúrbios que estão ocorrendo há dois dias em Kiev, a capital da Ucrânia, informou nesta quinta-feira o Ministério da Saúde do país. Segundo estatísticas oficiais, desde a última terça-feira até a manhã desta quinta, 445 pessoas receberam atendimento médico de urgência, das quais 287 tiveram que ser internadas.
Entre os feridos hospitalizados há 88 efetivos da polícia, seis jornalistas, um deputado, o opositor Vasyl Pazeniak, quatro menores de idade e dois estrangeiros, detalhou a assessoria de imprensa do Ministério. A capital da Ucrânia teve uma noite de relativa calma após a trégua estipulada pelo presidente do país, Viktor Yanukovich, e os líderes da oposição para estabilizar a situação no país.
A trégua foi anunciada na última hora da quarta-feira após uma reunião entre Yanukovich e os líderes dos três partidos de oposição com representação parlamentar, realizada em meio a fortes pressões da comunidade internacional para acabar com a violência na ex-república soviética. "Agora foi declarada uma trégua e começou um processo de negociação para estabilizar a situação", afirmou Arseni Yatseniuk, líder do principal partido de oposição, o Batkivschina (Pátria), depois da reunião com Yanukovich.
Recomeçam os confrontos no centro de Kiev
Os enfrentamentos entre os manifestantes opositores e a tropa de choque da polícia recomeçaram nesta quinta-feira no centro de Kiev com grande violência, conforme constatou a Agência Efe. Centenas de opositores radicais fizeram as forças policiais, que cercavam a Praça da Independência, recuar, enquanto era possível ouvir disparos.
Os policiais, que carregavam vários companheiros feridos, recuaram correndo em direção à rua Grushevski, que em janeiro foi cenário de uma batalha campal. Os manifestantes, equipados com capacetes, escudos, paus e coquetéis molotov, tomaram o controle da Praça Europa, próxima da rua Grushevski, onde se encontra a sede do governo.
A Rada Suprema (Parlamento), situada a poucos metros da Praça Europa, começou a ser evacuada. "Pediram para deixarmos (a Rada Suprema) com urgência", disse à imprensa local o deputado Vladimir Litvin enquanto saía da sede do Legislativo.
A nova onda de violência aconteceu pouco depois que o Ministério do Interior denunciou que um franco-atirador posicionado no alto de um edifício próximo da Praça da Independência (Maidan) tinha ferido mais de 20 efetivos das forças de segurança. Os enfrentamentos começaram depois de uma noite de relativa calma na capital ucraniana.