Por clarissa.sardenberg
Publicado 13/03/2014 16:29 | Atualizado 13/03/2014 16:42

Malásia - Cerimônias tradicionais e rituais de magia para ajudar a encontrar o avião malaio desaparecido com 239 pessoas a bordo acontecem a todo momento no aeroporto de Kuala Lumpur desde segunda-feira. Ibrahim Mat Zin, um famoso "bomoh" - o xamã na tradição da cultura malaia - realiza esses cultos acompanhado por vários ajudantes sobre um tapete onde se veem cocos, uma cesta de vime e uma varinha mágica.

"O objetivo desses rituais é enfraquecer os maus espíritos de modo que as equipes de resgate possam encontrar o avião, se houver caído", disse o feiticeiro, segundo o jornal Malaysia Today. O xamã, também conhecido como rajá Bomoh Sedunia Nujum VIP, manifestou a seus fiéis que acredita que "o avião está ainda no ar ou se chocou contra o mar". Ibrahim Mat Zin deve virar habitué do aeroporto com suas preces e rituais enquanto não se solucione o mistério do avião da Malaysia Airlines.

Xamã realiza rituais de magia em aeroporto na Malásia para encontrar avião desaparecidoReuters

O voo MH370 decolou em Kuala Lumpur à 0h41 local do sábado 8 de março (14h41 GMT de sexta-feira) e deveria aterrissar em Pequim após seis horas de voo, mas desapareceu do radar uma hora depois da decolagem. O Boeing 777-200 levava combustível para 7,5 horas de voo e transportava 227 passageiros, incluindo sete menores, e 12 tripulantes. A última posição da qual se tem certeza o situa no golfo da Tailândia entrando no espaço aéreo do Vietnã. Seis dias de busca, envolvendo pelo menos 12 nações, 43 navios, 39 aviões e centenas de pessoas, não encontraram a aeronave, qualquer rastro de seu paradeiro ou restos. Os modernos radares e os vários satélites que rastreiam a região em procura do Boeing não estão tendo sucesso, assim como o binóculo de bambu de Ibrahim Mat Zin.

O "bomoh" ou "chikun" é um feiticeiro que provém da cultura ancestral malaia e cujas funções sociais são de curandeiro, de atrair boa sorte e encontrar pessoas desaparecidas. As práticas dos "bomoh" se mantiveram ativas na Malásia, durante séculos, inclusive depois da chegada do islã. Só a partir do renascimento islamita dos anos 1970 e 1980, suas práticas começaram a ser coagidas, por serem consideradas um desvio da autêntica fé muçulmana.

Muçulmanos são totalmente contra rituais de magia realizados por xamã Reuters

Atualmente, uma parte da sociedade malaia ainda confidencia todo tipo de problema pessoal a essas entidades na busca de ajuda. O rajá Bomoh, que faz suas preces no aeroporto de Kuala Lumpur, está ativo há mais de 50 anos e confia que seus ritos ajudarão a localizar o avião desaparecido, mas o Departamento de Assuntos Religiosos é de outro parecer. O departamento se pronunciou nesta quinta contra os "bomohs" ou feiticeiros que fizerem rituais contrários às doutrinas do islã para localizar o avião.

"Qualquer um que atentar contra os princípios da sharia, ou lei islâmica, será convidado a se retirar e, caso se negue, será detido", advertiu o diretor do escritório da Sepang desse departamento, Zaifulah Jaafar Shidek, segundo o jornal local "The Star". "Isso acontece para evitar que as pessoas se desviem do caminho", acrescentou Zaifulah.

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