Por thiago.antunes

Rio - O Estado do Rio registrou aumento em todos os tipos de transplante. Em 2013 foram 898 cirurgias, contra 445 em 2006. Além disso, a taxa de doadores por milhão de habitante (14,1) superou a média nacional (13,2) ano passado. Apesar do avanço, 50% das famílias abordadas recusaram-se a doar órgãos do parente falecido. Os dados são de relatório da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos.

As cirurgias de córnea contabilizaram o aumento mais significativo: quase 400% (83 em 2006, contra 310 no ano passado). As de coração subiram 500%, mas o número absoluto de operações é pequeno: passou de duas para dez. Em seguida, vieram os transplantes de rim (164% a mais) e fígado (57%).
De acordo com o relatório, o Rio conseguiu 225 doadores efetivos em 2013, ficando atrás apenas de São Paulo (802) e Minas Gerais (228). Em 2006, eram 101.

Estrutura para captar órgãos melhorou%2C mas famílias de pessoas com morte cerebral ainda relutam em doar Divulgação

A melhora no Rio, segundo Rodrigo Sarlo, coordenador do Programa Estadual de Transplantes (PET), é justificada por ações como abertura de novos bancos de olhos; maior identificação de doadores e aproximação com suas famílias. “Com o aumento das captações, aumentamos o número de hospitais que fazem os transplantes”, diz.

Apesar do aumento no número de doadores, dos 454 parentes de potenciais doadores entrevistados, 229 (50%) recusaram-se a doar os órgãos. A média é acima da taxa nacional (47%). “A negativa familiar ainda é o maior problema. Muitos não veem a morte cerebral como morte, processo irreversível”, aponta.

Entre os doadores do estado, a maior parte morreu de Acidente Vascular Cerebral e tinha entre 18 e 34 anos. No Rio, há 1.834 pacientes na lista de espera por um órgão. “Para essas pessoas, ó único tratamento é um novo órgão”, alerta o médico.

Nova vida para doentes

Para o diretor da Associação de Doentes Renais e Transplantados do Estado do Rio de Janeiro (Adreterj), Alfredo Duarte, a equipe médica precisa ter sensibilidade para detectar o familiar menos fragilizado na hora de propor a doação. Ele reconhece a melhora do estado nos últimos quatro anos, mas diz serem necessárias campanhas de conscientização constantes.

“As pessoas devem ser esclarecidas sobre morte cerebral e sobre o processo de doação”, diz Duarte, que foi transplantado em 2000 e, em 2010, entrou novamente na fila por um novo rim. “A hemodiálise impõe uma vida de restrições e, com um órgão novo, mesmo que temporariamente, novas perspectivas surgem”, afirma.

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