Rio - As obras que vêm preparando o Rio de Janeiro para os megaeventos esportivos estão afetando a saúde ocular dos cariocas. Oftalmologistas apontam que casos de conjuntivite alérgica aumentaram 50%, desde o fim do ano, por causa da poeira.
A inflamação atinge a membrana transparente que recobre a conjuntiva (parte branca do olho) e causa vermelhidão, inchaço, secreção espessa e uma forte coceira, segundo a oftalmologista Andrea Barbosa, que já percebeu o impacto entre os pacientes que atende na Clínica dos Olhos São Francisco de Assis. “Antes, a mudança no clima era o principal fator. Mas as queixas cresceram nos últimos meses. Esses pacientes trabalham ou moram perto de canteiros de obras”, afirma.
Antônio dos Reis, 41 anos, é um dos pacientes que enfrentam diariamente esse transtorno. O morador da Estrada da Gávea convive com o vai e vem de carros de entulhos da construção da Linha 4 do Metrô, próxima à loja onde trabalha, também na Zona Sul. O subgerente têm coceiras e dores nos olhos. “Eu lido com o público e é constrangedor ficar com os olhos inchados,” conta ele. Há alguns meses, procurou tratamento e hoje as crises de alergia aparecem com menos frequência.
Apesar de não ser contagiosa, diferentemente das conjuntivites bacteriana e viral, a alérgica tem consequências sérias se não for tratada. A médica alerta que a coceira excessiva, característica da doença, pode deformar a córnea, problema conhecido como ceratocone que, em alguns casos, acarreta até a perda de visão. Pessoas com histórico de rinite são mais suscetíveis a desenvolver a doença. Andrea explica que o ideal é lavar as mãos e o rosto depois de andar na rua e nunca coçar os olhos.