Premiê turco é cercado por multidão revoltada com tragédia em mina

Recer Tayyip Erdogan teve de se refugiar dentro de um supermercado na cidade de Soma

Por felipe.martins , felipe.martins

Soma - O premiê da Turquia, Recer Tayyip Erdogan, teve de se refugiar dentro de um supermercado na cidade de Soma, ontem, após ter seu carro cercado por uma multidão revoltada. O chefe de governo pretendia visitar a área em que fica a mina de carvão onde, na terça-feira, explosão soterrou centenas de trabalhadores, causando pelo menos 282 mortes.

Para aumentar ainda mais a tensão, Yusuf Yerkel, assessor do político, foi fotografado chutando manifestante dominado por policiais. A imagem espalhou-se por redes sociais e a vítima foi identificada como parente de um dos mortos.

Yusuf Yerkel%2C assessor do premiê turco%2C chutou manifestante dominado por policiais. A vítima era um parente de um dos mineiros mortosReuters

Os protestos contra o governo — acusado, junto com a indústria da mineração, de negligência — começaram na quarta-feira e se espalharam pelo país. Em Soma, quando o carro que transportava Erdogan e sua equipe foi cercado, uma mulher, parente de um dos mineiros, tentou agredir o primeiro-ministro, mas foi contida por seguranças. Erdogan ficou dentro do mercado até a polícia dispersar a multidão.

Em Ancara, cerca de 4 mil pessoas fizeram passeata. A polícia usou jatos d’água e gás lacrimogêneo. Em Istambul, pessoas se reuniram em estações de metrô e na sede da companhia Soma Kömür Isletmeleri, dona da mina. Surgiram pichações acusando a SKI de assassinato.

O principal sindicato da Turquia convocou greve como forma de protesto. Líderes sindicais afirmam que a recente privatização da mineração tornou as condições de trabalho mais perigosas.

Funerais coletivos e desespero

Enquanto aconteciam os protestos em várias cidades, funerais coletivos dos mineiros mortos no acidente eram realizados em Soma. O desespero das famílias aumenta à medida em que diminui a chance de resgatar com vida as dezenas de trabalhadores que até ontem permaneciam soterradas na mina de carvão.

Segundo as autoridades, quase 90 homens ainda estariam presos dezenas de metros abaixo da terra. As possibilidades de encontrar sobreviventes são praticamente nulas. “Não retiramos mineiros com vida nas últimas 12 horas”, disse o ministro da Energia, Taner Yildiz, ontem de manhã. Ele o explicou que os serviços de resgate ainda não haviam conseguido, ontem, acessar duas galerias afetadas. A grande explosão de terça-feira teria sido provocada por uma falha elétrica.

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