Bebês ficam sem cirurgia cardíaca no país

Menos de 40% dos recém-nascidos com doenças que têm de ser operados conseguem acesso ao tratamento, devido à falta de médicos e hospitais equipados

Por bferreira

Rio - O combate a doenças cardíacas em recém-nascidos é grande desafio no Brasil. Dos bebês que nascem com problemas no coração e precisam de cirurgia reparadora, menos de 40% conseguem ser operados. Entre os motivos, estão as faltas de profissionais qualificados para fazer diagnósticos e de centros capacitados. O alerta é de Marcelo Jatene, cirugião cardíaco pediátrico do Hospital do Coração (HCor), São Paulo.

O Brasil registra o nascimento de cerca de três milhões de bebês por ano, dos quais 25 mil têm males cardíacos. Alguns podem receber tratamento clínico ou precisar apenas de acompanhamento médico, mas a grande maioria (22 mil) requer cirurgia. Somente 8 mil, porém, conseguem passar pelo procedimento, que precisa ser feito nos primeiros dias de vida para que a criança sobreviva.

“Não é toda unidade de saúde que tem enfermaria pediátrica com internação. E mesmo as que têm UTI podem não ter leitos para receber novos internos. Assim, alguns bebês acabam morrendo”, observa Jatene. Também são complicadores a burocracia para transferir o paciente para hospital com estrutura pediátrica e a falta de ambulâncias.

Infecções contraídas na gravidez, uso contínuo de remédios psiquiátricos, tabagismo, diabetes e síndromes genéticas são fatores que, sabidamente, podem alterar a formação do feto, diz Jatene. Acardiopatia congênita mais frequente é a CIV (comunicação intraventricular), que representa 15% dos casos.

A doença é causada por um pequeno orifício entre os ventrículos esquerdo e direito. Isso alterna a passagem de sangue do lado esquerdo para o direito, o que aumenta a quantidade de sangue que chega aos pulmões.

Exames durante a gravidez

Para tentar prevenir o problema e agilizar o tratamento, Luiz Carlos Simões, coordenador da Cardiopediatria do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), do Rio, alerta para a necessidade de a grávida fazer exames. “O ideal é que a gestante que tem familiares com doenças cardíacas, é fumante ou diabética, faça o ultrassom e também o ecocardiograma fetal, que avalia, logo na barriga, em que condições está o coração do neném”, diz. Após o nascimento, é o Teste do Coraçãozinho que traz nova chance para identificar um eventual problema: mostra os níveis de oxigênio no sangue do recém-nascido.

No caso da CIV, o médico realiza uma ausculta cardíaca após o nascimento para detectar se há sopro. Se a CIV for grande, a criança perderá o fôlego ao mamar e ficará cansada com frequência. A sudorese também é um sintoma.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia