Hamas concorda com proposta egípcia de trégua de 72 horas em Gaza

Após mais mortes, Israel e o grupo Hamas combinam o nono cessar-fogo para esta manhã

Por guilherme.souza

Gaza - Mais um cessar-fogo foi acertado, ontem, entre Israel e o grupo islâmico Hamas, que atua na Faixa de Gaza. A nova trégua, de 72 horas, mediada pelo Egito, é esperada para hoje de manhã, e sucede a outras oito, que não foram respeitadas. Nesta segunda de manhã, por exemplo, o Hamas acusou Israel de violar trégua unilateral de sete horas com um bombardeio que matou uma menina de 8 anos e deixou outras 29 pessoas feridas. Em seguida, dois ataques foram registrados em Jerusalém: um civil isralense morreu e seis se feriram.

“Convocamos lideranças israelenses e palestinas para que venham ao Cairo (Egito) para discutir um cessar-fogo permanente, e esperamos que a região se estabilize em breve”, afirmou ontem em comunicado o ministro egípcio das Relações Exteriores, Sameh Shoukry.

Imediatamente após o início do cessar-fogo temporário, houve o trágico bombardeio sobre um campo de refugiados na Cidade de Gaza. Já os episódios em Jerusalém foram classificados pela polícia como ‘terroristas’, e levaram ao reforço do patrulhamento na cidade. Num bairro de judeus ultraortodoxos, um homem ao volante de uma escavadeira atropelou um pedestre e virou um ônibus, antes de ser morto a tiros por policiais.

Palestinos inspecionam casa em que morava família e que foi bombardeada. Uma menina de 8 anos morreu e 29 pessoas ficaram feridasEfe

O pedestre morreu e mais cinco pessoas ficaram feridas — o motorista do ônibus, três passageiros e um policial. O homem que guiava o trator era Mohammed Naif Ja’abis, árabe de 20 anos, morador de Jerusalém Oriental. Militantes palestinos já tinham feito atos semelhantes usando veículos pesados de obras.

Horas depois, um homem armado começou a atirar na rua, perto da Universidade Hebraica de Jerusalém. Um soldado foi ferido gravemente e o atirador fugiu. Um porta-voz do Hamas exaltou a investida. “Louvamos as operações heroicas e bravas em Jerusalém, que vêm como uma reação natural aos crimes e massacres pela ocupação contra o nosso povo em Gaza”, disse.

Negociações frustradas

Israel negou ontem ter violado a oitava tentativa de cessar-fogo desde o início da guerra há quatro semanas, que entrara em vigor às 10h em Israel (4h em Brasília), em meio à indignação internacional pelo terceiro ataque mortal a uma escola da ONU que abriga palestinos. As sete tréguas anteriores fracassaram poucas horas depois de terem começado. As Forças Armadas de Israel explicaram que a pausa de ontem teria o objetivo de permitir o retorno de palestinos deslocados a suas casas.

Israel vem diminuindo suas operações por terra desde o fim de semana, mas manteve bombardeios aéreos, marítimos e de artilharia. No 28º dia de ofensiva, ataques aéreos continuaram durante a noite em Gaza, embora em menor intensidade do que nas noites anteriores. A guerra deixou até ontem cerca de 1.800 palestinos e 60 israelenses mortos.

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