Fumo e álcool podem prolongar hiperatividade

Uso das substâncias na adolescência é um dos fatores que levam os sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção a perdurarem na vida adulta do paciente

Por bferreira

Brasília - Crianças e adolescentes com Transtorno de Déficit de Atenção (TDAH) podem ficar sem parte dos sintomas na vida adulta. Mas pelo menos 50% permanecem com os sinais do TDAH depois de virar ‘gente grande’. E um ponto merece destaque: o uso de álcool e cigarro na adolescência pode contribuir para esta situação.

Os dados foram discutidos no 32º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, semana passada, em Brasília. O psiquiatra Rafael Gomes Karam, pesquisador do Programa de Déficit de Atenção e Hiperatividade no Adulto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, explica que algumas áreas do cérebro de crianças com TDAH se desenvolvem de forma mais ‘atrasada’ em relação ao de pequenos sem o transtorno. Mas, com o amadurecimento cerebral, os sinais podem diminuir. “Durante a adolescência, alguns podem perder os sintomas a ponto de ficarem praticamente sem os prejuízos do transtorno traz”, disse.

A possibilidade diminui bastante para adolescentes que usam álcool e cigarro. Karam explica que as substâncias podem aumentar os sintomas do transtorno na fase adulta ou evitar que eles diminuam. Ele cita que mães que usam nicotina e álcool têm mais chance de ter filhos com TDAH. “É possível que as substâncias afetem o desenvolvimento cerebral, por isso é muito importante que adolescentes com sintomas evitem o uso”, explica.

Adultos têm problemas no trabalho

Os sintomas do TDAH aparecem até os 12 anos, mas há pessoas que só sentem necessidade de tratamento na vida adulta. Em crianças, hiperatividade e impulsividade são os sinais mais comuns. Já na fase adulta, a queixa é a falta de atenção. “Adultos procuram o tratamento mais por causa de problemas no trabalho”. O especialista alerta que, no adulto, se os sintomas surgirem repentinamente, o diagnóstico pode não ser de TDAH. “Há outros transtornos com sintomas parecidos. A depressão, por exemplo, deixa a pessoa desatenta”.

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