Presidente turco diz que Estados Unidos erram ao armar curdos na Síria

Armas caíram nas mãos de militantes do Partido da União Democrática, considerado terrorista pela Turquia

Por leonardo.rocha

Turquia - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta quarta-feira que os Estados Unidos erraram ao tomar a decisão de entregar armas e munições aos curdos que defendem a cidade síria de Kobane, cercada por jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI).

Armas caíram nas mãos de militantes do Partido da União Democrática, considerado terrorista pela TurquiaReuters


Segundo Erdogan, as armas, jogadas de avião, caíram nas mãos de militantes do Partido da União Democrática (PYD), considerado pela Turquia uma organização terrorista, e de combatentes do EI. “Hoje é evidente que foi errado”, disse Erdogan em entrevista à imprensa na capital turca. “Toda a ajuda dada ao PYD vai beneficiar o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão). E nós, Turquia, devemos opor-nos a isso”, afirmou o chefe do governo, antes de viajar para a Letônia.

Depois de dezenas de ataques aéreos contra os jihadistas na zona de Kobane, cidade síria próxima da fronteira com a Turquia, armas, os Estados Unidos fizeram segunda-feira o primeiro lançamento de armas, munições e produtos de saúde na região. O material era destinado às unidades de Proteção do Povo, a milícia curda do PYD, que combate o EI.

“Vemos hoje claramente quem se beneficiou da ajuda americana. Esse tipo de operação não deve ser feito unicamente pelas aparências, há meios bem mais razoáveis e eficazes", afirmou Erdogan. “Não compreendo por que Kobane tem uma importância tão estratégica para os americanos, se já não há nenhum civil” na cidade, acrescentou.

Domingo passado, o presidente turco já tinha se recusado a ajudar o PYD, que se associa ao PKK, grupo curdo turco que travou uma luta separatista contra a Turquia durante mais de três décadas.

A Turquia também tem se negado a intervir militarmente para apoiar as milícias que defendem Kobane para não reforçar a capacidade das forças curdas. Na segunda-feira, porém, sob pressão dos Estados Unidos, o país concordou em deixar passar por seu território combatentes curdos iraquianos em trânsito para Kobane.

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