Por bferreira

Uruguai - Assim como os brasileiros, os uruguaios vão às urnas neste domingo para escolher um novo presidente. O candidato do governo, o ex-presidente Tabaré Vázquez, da Frente Ampla, lidera as intenções de voto, de acordo com pesquisas de opinião, com 40% a 43%. Já Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, registra 33%. Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, tem 15%.

Segundo analistas, em caso de derrota da Frente Ampla é provável que seja abandonado ou enfraquecido o projeto do atual presidente, José Mujica, que transformou o Uruguai no primeiro país do mundo a permitir o cultivo, a distribuição e o uso da maconha. A ideia dele é assumir o controle do comércio da droga das mãos dos traficantes, regulamentando e até taxando o consumo.

“No caso de segundo turno, a expectativa é que a oposição se una para apoiar Pou contra Vázquez. Por isso, o resultado é incerto”, disse à BBC Brasil o professor de História e Ciências Políticas da Universidade de la República, em Montevidéu, Gerardo Caetano. O cálculo que analistas, políticos governistas e opositores fazem, a partir do que indicam as pesquisas, é que, se somados os votos de Lacalle Pou e de Bordaberry, ocorreria empate técnico no segundo turno.

A Frente Ampla assumiu a Presidência com Vázquez em 2005. O Uruguai não permite a reeleição para mandato consecutivo, o que deixou Mujica fora da atual disputa e Vázquez, fora da anterior. Mujica assumiu o cargo em 2010.

Sobre a maconha, o governo descumpriu seus próprios prazos para implementar as mudanças, que viraram lei em dezembro. Sebastian Sabini, parlamentar da coalizão governista que apresentou a lei, afirmou que sua implementação exige a criação de instituições que não existem em lugar nenhum. O plano de começar a vender a erva em farmácias no final deste ano parece improvável, já que o governo ainda está emitindo licenças de cultivo e identificando onde as sementes podem ser adquiridas.

Devido aos atrasos, Mujica agora enfrenta uma corrida contra o tempo para aplicar as mudanças antes que o novo mandatário assuma, em março do ano que vem.

País de cerca de três milhões de habitantes, com aproximadamente 2,5 milhões de eleitores, o Uruguai vota domingo também para deputados e senadores.

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