Reino Unido quer que IP de internautas sob investigação seja revelado

Polícia poderá saber quem estava usando um computador ou telefone celular em um determinado momento

Por clarissa.sardenberg

Inglaterra - O governo britânico anunciou neste domingo que prepara uma lei que obrigará as companhias de telecomunicações a revelar a identidade dos usuários de internet investigados pela polícia. As provedoras deverão entregar às forças de segurança os detalhes ligados a um determinado endereço IP para facilitar o trabalho de identificação de suspeitos, afirmou a ministra de Interior, Theresa May.

Segundo a ministra, investigadores policiais têm "perdido capacidades" nas quais "sempre tinham confiado" por causa das novas tecnologias, o que a seus olhos representa um "grande perigo". A legislação permitirá aos agentes saber quem estava usando um computador ou um telefone celular em um determinado momento.

Caso IP seja revelado, polícia vai saber quem usava computador em determinado momento Reuters

"Esta lei é a oportunidade de resolver problemas muito reais que existem em torno da resolução de endereços IP e é um passo em boa direção para superar a lacuna que em geral existe na informação digital", declarou May.

Em abril de 2013, a ministra conservadora se viu forçada a abandonar um projeto de lei que obrigava as companhias a guardar dados dos usuários durante um ano devido à oposição do partido Liberal-Democrata, importante base de apoio do governo do primeiro-ministro David Cameron. Desta vez, os "Lib Dem" se mostraram favoráveis ao novo marco legal: "Isso é exatamente o tipo de questão que deve ser abordada", disse um porta-voz do partido, que considerou que o anúncio do Ministério do Interior uma "boa notícia".

A diretora da organização defensora dos direitos de privacidade "Big Brother Watch", Emma Carr, considerou por sua vez que "é perfeitamente razoável que a polícia tenha a capacidade de ligar um endereço IP a uma pessoa que está sendo investigada". "Contudo, (a lei) deveria estar submissa a uma ampla consulta e a uma apuração compreensiva com a indústria e a sociedade civil, algo que faltou até o momento quando se trata de habilitar novos poderes de monitoramento", ponderou Carr.

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