Para Cristina Kirchner, houve homicídio

Presidenta diz que morte de promotor que a acusava é complô contra o governo

Por felipe.martins , felipe.martins

Buenos Aires - A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, surpreendeu nesta quinta-feira ao se dizer “convencida” de que a morte do promotor Alberto Nisman “não foi um suicídio”. Em carta publicada no Twitter, ela afirma que Nisman foi enganado por pessoas que lhe passaram “pistas falsas”, o que o fez acusar integrantes do governo, inclusive a própria mandatária, de acobertar terroristas iranianos que cometeram atentando em Buenos Aires, em troca de vantagens econômicas para a Argentina por parte do governo do país persa.

Cristina arrematou dizendo que a morte do investigador é uma “operação contra o governo” dela. A presidenta acusou o ex-diretor de contrainteligência da Secretaria de Inteligência, Antonio Stiusso, de ter “inundado” Nisman de falsas informações: ele indicou ao promotor quem eram os supostos agentes da Secretaria envolvidos no caso do favorecimento aos terroristas. “O promotor Nisman não sabia que os agentes que ele denunciava na verdade não o eram”, diz a presidenta.

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Ainda segundo ela, “a denúncia de Nisman nunca foi a verdadeira operação contra o governo”. “A verdadeira operação contra o governo foi a morte do fiscal depois de acusar a presidente, seu chanceler e o secretário geral de encobrirem acusados pelo atentado terrorista”, afirmou. Cristina ainda questionou o porquê de ele se suicidar, “se não sabia que eram falsas” as informações. “As respostas só poderão dar aqueles que o convenceram de que ele tinha em mãos ‘a denúncia do século”, diz.

Suspeitos ligados a governo do Irã

O promotor foi encontrado morto domingo, com um tiro na cabeça, um dia antes de comparecer ao Congresso para dar detalhes sobre a denúncia envolvendo a presidente e altos funcionários do governo. Ele acusava o grupo de acobertar a participação de iranianos do atentado terrorista realizado contra a Associação Mutual Israelita Argentina), há 21 anos, que deixou 85 mortos.

Na lista dos acusados, estavam iranianos que ocupavam postos no governo do então presidente Akbar Hashemi Rafsanjani (1989-1997).

 

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