Abandonados, centenas de foragidos de Mianmar passam fome à deriva

Aproximadamente 350 imigrantes estão na embarcação e muitos bebem a própria urina para sobreviver

Por paulo.gomes

Bangcoc (Tailândia) - Um barco de pesca com cerca de 350 imigrantes de Mianmar, na Ásia, permanecia nesta quinta-feira à deriva no Mar de Andaman (Oceano Índico). Sem água e sem comida há uma semana, muitos estão bebendo a própria urina para tentar sobreviver, segundo jornalistas que conseguiram se aproximar. A tripulação abandonou a embarcação com o motor desativado, e seus ocupantes não conseguem socorro de nenhum país da região, como Tailândia, Malásia e Indonésia. Dez pessoas já teriam morrido e seus corpos foram atirados ao mar.

Desde a semana passada%2C tripulação abandonou barco no Mar de Andaman e desativou motorEfe

Os homens, mulheres e crianças são da minoria muçulmana Rohingya. Estima-se que entre seis mil e 20 mil deles, foragidos da perseguição étnica no Mianmar, estejam à deriva no Mar de Andaman e no Estreito de Malaca. Muitos foram abandonados pelos traficantes de seres humanos com pouca comida e água. Repórteres que conseguiram chegar perto do barco, em outra embarcação, ouviram gritos com pedidos desesperados de socorro.

Mianmar rejeita os rohingyas como cidadãos: eles não tem direitos básicos e o governo tenta ‘empurrá-los’ para o vizinho Bangladesh. Este, por sua vez, também não os aceita. Quem consegue entrar, segue para campos de refugiados, oficiais ou clandestinos, que já contam com cerca de 200 mil pessoas.

Cerca de 350 pessoas%2C muitas crianças e mulheres%2C estão morrendo. Algumas começam a beber a própria urinaEfe

Em nota, o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados acusa Tailândia, Malásia e Indonésia de não colaborarem “para ajudar humanitariamente os imigrantes”. A ONU fez um apelo aos governos regionais para conduzirem operações de busca e salvamento, alertando que se trata de “uma potencial catástrofe humanitária”.

Porém, como mais de 1,5 mil imigrantes desembarcaram na Malásia e na Indonésia somente na semana passada, os países decidiram recusar mais barcos. Da Tailândia, a ajuda que chegou nesta quinta foi apenas a de alguns marinheiros do país, que jogaram pacotes de macarrão instantâneo para o barco.

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