Após operação contra Estado Islâmico, EUA devolvem antiguidades ao Iraque

Segundo norte-americanos, essa é uma prova de que grupo financia terrorismo com comércio de relíquias históricas

Por clarissa.sardenberg

Iraque - O governo dos Estados Unidos devolveu ao Iraque nesta quarta-feira antiguidades que disse ter apreendido em um ataque a combatentes do Estado Islâmico na Síria, e afirmou que as obras são a prova de que os militantes estão financiando sua guerra com o contrabando de tesouros antigos.

As relíquias iraquianas foram tomadas pelas forças especiais norte-americanas em uma operação em maio contra um comandante do Estado Islâmico conhecido como Abu Sayyaf. Elas abrangem selos cilíndricos antigos, cerâmicas, braceletes metálicos e outras joias, e cacos do que parecia ser um vaso colorido. As peças também incluem moedas islâmicas.

Alguns dos artefatos recuperados são exibidos no Museu Nacional de BagdáReuters

O Estado Islâmico, grupo sunita radical, saqueou alguns dos maiores sítios arqueológicos no norte do Iraque e postou vídeos de combatentes destruindo monumentos pré-islâmicos, que eles desprezam por considerarem que são objetos de adoração.

As autoridades iraquianas têm sido incapazes de verificar a extensão dos danos nos locais sob controle do Estado Islâmico, mas disseram que as imagens da destruição foram divulgadas em parte para desviar a atenção do fato de que o Estado Islâmico está contrabandeando antiguidades para levantar dinheiro.

"Esta é a primeira evidência tangível de que o Daesh está vendendo artefatos para financiar suas atividades", afirmou o embaixador norte-americano Stuart Jones, referindo-se ao Estado Islâmico por seu acrônimo em árabe. "Seu objetivo é vender essas antiguidades no mercado negro mundial", disse ele a jornalistas no Museu Nacional de Bagdá, onde os itens foram entregues.

O comandante do Estado Islâmico Abu Sayyaf, que morreu no ataque, foi descrito por autoridades dos EUA na época como o responsável do grupo pela venda de petróleo e gás. Ele foi morto a sudeste da cidade de Deir al-Zor, perto dos principais campos de petróleo da Síria, e a cerca de 100 quilômetros da fronteira Síria-Iraque, território que o Estado Islâmico declarou ser seu "califado".

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