Por felipe.martins

Rio - Só este ano, segundo a ONU, cerca de 500 mil refugiados entraram na Europa, em uma das mais graves crises migratórias desde a Segunda Gerra Mundial. O governo alemão é o que acolhe a maior parte dos imigrantes que fogem das guerras e horrores de extremistas no Oriente Médio. Mas enquanto a Alemanha pressiona por distribuição mais equitativa dos refugiados e países como Hungria, República Tcheca e Eslováquia continuam avessos às cotas obrigatórias, o Brasil vem se destacando como maior centro de acolhimento de refugiados na América do Sul. O país não só facilita a entrada com emissão de vistos como inscreve famílias estrangeiras no seu programa de transferência de renda, o Bolsa Família.

Responsável pelo programa, o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome não informou o valor específico recebido pelos refugiados – o benefício médio do programa é de R$ 167 mensais por família. Segundo a pasta, no total, 15.707 famílias com estrangeiros estão no programa. “O Bolsa Família nunca teve proibição de participação de estrangeiros. A lei não os distingue dos brasileiros”, afirmou o secretário nacional de Renda de Cidadania, Helmut Schwarzer, à rede BBC.

Sírio refugiado da guerra%2C Ali e a família estão no Bolsa FamíliaReprodução

Sem falar a língua e em meio à crise econômica, muitos deles — apesar de qualificação profissional — não conseguem emprego. É o caso do programador, identificado por nome fictício de Ali, de 34 anos. Ele era um homem rico na Síria. Ganhava US$ 4 mil (cerca de R$15 mil) por mês, tinha carro e foi um dos melhores alunos da sua pós-graduação. “Aqui no Brasil, sou pobre”, conta Ali, que se mudou há um ano e sete meses para o país fugindo da guerra civil. 

‘Dá pra fraldas e comida’

Sem emprego e renda, a solução encontrada pelo refugiado sírio no Brasil foi recorrer ao Bolsa Família, com ajuda de um vizinho brasileiro. “O dinheiro dá para comprar comida e fraldas, só isso”, disse ele, que ganha R$ 386 por mês para sustentar, além dele, a mulher e três filhos — que entraram em escolas brasileiras, uma das exigências do programa.

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