Palestinos incendeiam área sagrada para os judeus

Ataque ao Túmulo de José aumenta as tensões em Gaza. Em duas semanas, confrontos deixaram mais de 30 mortos

Por thiago.antunes

Jerusálem - As tensões entre palestinos e israelenses se acirraram nesta sexta-feira depois que bombas incendiárias foram lançadas contra o Túmulo de José em Nablus, um local venerado por judeus. O monumento sagrado, localizado no norte da Cisjordânia ocupada, foi atacado por um grupo de palestinos. A autoria do ataque foi confirmada pela própria polícia palestina e o exército israelense.

Analistas temem que as tensões na região possam levar a uma terceira Intifada (rebelião popular palestina contra as forças de ocupação de Israel na Faixa de Gaza). Palestinos e israelenses se enfrentam há duas semanas em confrontos que deixaram mais de 30 mortos e mais de mil feridos do lado palestino, e sete mortos e dezenas de feridos do lado israelense.

Bombas incendiárias foram lançadas contra o Túmulo de José%2C local de peregrinação de judeusReprodução

Segundo a Bíblia, José é um dos 12 filhos de Jacó, vendido por seus irmãos e levado ao Egito, de onde seu corpo foi trasladado. O local, onde os palestinos acreditam se encontrar o túmulo de um xeque local, foi cenário de confrontos no passado, sobretudo durante a segunda Intifada (2000-2005).

O presidente palestino, Mahmud Abbas, condenou o incêndio do túmulo de José e chamou o ato de “irresponsável”. Abbas mandou formar imediatamente uma comissão para investigar o ataque contra o Túmulo de José.

A tensão aumentou na região devido ao aumento no controle do acesso ao complexo onde fica o Muro das Lamentações, a mesquita de al-Aqsa, um local em Jerusalém Oriental considerado sagrado por judeus e muçulmanos. Palestinos temem que Israel mude o acesso atual à mesquita, onde judeus podem visitar mas não podem rezar, algo que Israel diz que não pretende fazer.

Mais três palestinos mortos

As forças de segurança de Israel estão mobilizadas em Jerusalém, enquanto os judeus se armam como podem. O alerta ao exército israelense aconteceu depois que vários grupos palestinos convocaram uma “sexta-feira da Revolução”, com manifestações após a tradicional oração muçulmana semanal.

Os confrontos deixaram mais três palestinos mortos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Perto da colônia de Kiryat Arba, na Cisjordânia ocupada, um palestino disfarçado de jornalista esfaqueou um soldado. Ele foi morto pouco depois. O palestino estava vestido como repórter fotográfico, o que permitiu que se aproximasse dos soldados. Outros dois palestinos foram mortos durante protestos.

O representante dos palestinos, Riyad Mansur, disse que a situação é “muito explosiva” e fez um apelo ao Conselho de Segurança da ONU para “assumir sua responsabilidade” e acabar com a violência.

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